n. 1 (2014): A dança na universidade: para quem, por quem e como?

A legitimação da dança como área do conhecimento se deu no Brasil em 1952, na Universidade Federal da Bahia. As duas últimas décadas foram marcadas por uma mudança significativa no quadro de ofertas de novos cursos do gênero no ensino superior. Dentre eles, o primeiro de Minas Gerais, o Curso de Dança da Universidade Federal de Viçosa, foi criado em 2001. Nos últimos oito anos a oferta de graduações na área passou de 12 para 33 no Brasil. Essa nova realidade vem transformando a dinâmica e qualidade na produção de pesquisas, projetos de extensão e de ensino exigindo do profissionais do campo atenção redobrada para com seus projetos políticos pedagógicos.

Ao atenderem, em seus Projetos Políticos Pedagógicos, às exigências do Ministério da Educação, os cursos assumem a responsabilidade de promover e estimular ações interdisciplinares e entre diferentes áreas de formação. Em paralelo, seus potenciais criativo, interativo e comunicativo reforçam a importância das relações sociais na construção de saberes, que se pauta, indiscutivelmente, nas mudanças quanto às representações do corpo, do corpo da arte, do corpo/sujeito do mundo contemporâneo. A diversidade de perspectivas e pontos de vista de profissionais artistas, pesquisadores e professores constitui esta fértil e desafiadora nova realidade, refletida no presente dossiê.

Como provocação inaugural, o dossiê se abre com reflexões a partir do artigo Fios que se conectam: a dança e a universidade como agentes que (se) movem, de Rodrigo dos Santos Monteiro, em que se buscam caminhos relacionando estudos do corpo e da semiótica para que o entendimento de rede e de cruzamentos atravessem e expandam o debate acerca das relações entre dança e universidade.

Em continuidade, são apresentadas considerações de Angela Ferreira, em Pesquisa em arte ou com arte?, em que a autora instiga reflexões sobre a formação e a prática de pesquisa em programas universitários, colocando em xeque os processos e métodos de pesquisa nas artes.

O terceiro texto, Angel Vianna e Augusto Boal: a pedagogia das artes brasileiras à porta da academia, de Ana Vitória Freire, tem como foco principal artistas pedagogos brasileiros, que desempenharam um altíssimo nível de performance artística e construíram propostas pedagogias e metodologias próprias. A autora tem como questão a legitimação de pensadores/atores brasileiros na academia/universidade.

A seguir, no texto Corpo e identidade na dança contemporânea, Andréa Bergallo Snizek propõe discussões sobre as representações do corpo/sujeito contemporâneo, o corpo da dança. Uma abordagem que compreende a mediação como fator determinante em procedimentos de construção de conhecimento, implícitos nas proposições de projetos políticos pedagógicos de cursos de dança/arte na universidade.

Em Intérpretes da dança de expressão negra: contextos da arte de estar em cena, Emilena Sousa dos Santos, em estudo das práticas e propostas corporais das danças africanas e da dança de expressão negra no Brasil, apresenta parte da história da dança, nomes de artistas que foram/são atuantes na consagração da dança cênica profissional.

Eliana Rodrigues, em O aluno protagonista e as novas atuações do artista da dança, traz reflexões sobre a mudança de papel e atuação dos docentes e discentes nas últimas décadas, tendo como referência o Curso de Dança da Universidade Federal da Bahia, o primeiro do Brasil.

Como Eliane, o texto de Holly Cavrell, Reflexões sobre um programa de dança contemporânea no ensino superior, apresenta seu entendimento do sistema de educação em dança como um campo de estudo eclético e rico tendo com referência o Curso de Graduação em Dança da Unicamp/SP.

Também as autoras Fabiana Amaral e Eloá Chaignet colaboram com o texto Dança na UFRJ: um capítulo do ensino universitário de dança no Rio de Janeiro. Analisando o percurso da Dança na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fazem reflexões sobre a criação do primeiro curso universitário em dança em uma universidade pública no Rio de Janeiro e seus desdobramentos.

Vitor Hugo Neves de Oliveira e Luiz Thomaz Sarmento Conceição, em A dança nossa de cada dia dá-nos hoje, buscam discutir e examinar os projetos de ensino da dança e os perfis dos alunos ingressos em duas universidades específicas: a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB).

Em Estudos coreográficos no ensino superior, Alexandra de Castilho e Raquel Purper analisam um importante componente curricular, Estudos Coreográficos, do Curso de Graduação em Dança: Licenciatura da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERG

E, fechando o dossiê, Marcílio de Souza Vieira, em Panorama da dança na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, discute a inserção da dança no espaço universitário. E o faz a partir da fenomenologia como abordagem metodológica.

Boa leitura.

 

Os editores:

Andréa Bergallo Snizek (UFV)

Publicado: 2018-12-07

Estudos e Debates