EDITORIAL

Wescley Silva Xavier

Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Administração e Contabilidade (DAD). Av. Peter Henry Rolfs s/n - Campus Universitário. 36570-900, Viçosa – Minas Gerais, Brasil, (31) 3899-1607, wescley@ufv.br

 


Caros leitores,

Trazemos a vocês o primeiro número de 2018, este que é também o último sob minha responsabilidade na APGS. Após três anos de muito aprendizado, é hora de passar o bastão para os professores Josiel Lopes Valadares e Alan Ferreira de Freitas, futuros editor-chefe e editor associado. Aproveito para agradecer a todos os envolvidos durante o período em que estive a frente da revista: editores científicos, avaliadores, autores e avaliadores. Nada seria possível sem a construção coletiva.

O primeiro artigo é de autoria de Filipe Costa de Souza.  Em A heterogeneidade da mortalidade da população brasileira e aspectos redistributivos na previdência social: uma análise atuarial da proposta de idade mínima de aposentadoria, o autor trata de um tema atual e polêmico, trazendo à baila aspectos redistributivos que a proposta de reforma da previdência através da emeda à constituição nº 287/2016 pode gerar aos contribuintes. O autor conclui que haverá uma redistribuição negativa, em que os indivíduos com menor expectativa de vida, que ingressaram no mercado de trabalho mais jovens e que têm baixo crescimento salarial irão financiar as aposentadorias daqueles mais longevos, que ingressaram no mercado de trabalho mais velhos e com maior perspectiva de crescimento salarial.

Na sequência, trazemos o texto Contribution to social innovation theory and practice: lessons from a portuguese association, de autoria de Naldeir dos Santos Vieira, Allan Claudius Queiroz Barbosa, Cristina Clara Ribeiro Parente e Daniel Paulino Teixeira Lopes. No artigo os autores partem de um estudo de caso em uma associação portuguesa para ilustrar como a busca pela melhoria da qualidade de vida dos habitantes do entorno gerou o desenvolvimento de produtos e processos de inovação social, a partir da atuação de suas principais lideranças e funcionários.

Mariana Mazzini Marcondes, Tatiana Lemos Sandim e Ana Paula Rodrigues Diniz assinam Transversalidade e intersetorialidade: mapeamento do debate conceitual no cenário brasileiro. No artigo as autoras buscam como a transversalidade e a intersetorialidade têm sido tratadas na gestão pública, em nível governamental e também acadêmico. Para isso, recorrem a análises de políticas públicas no âmbito federal e a análise bibliométrica de artigos disponibilizados no SCIELO. As autoras concluem que no campo das políticas públicas o emprego remete, principalmente, à integração coordenada de ações de setores governamentais, em que se estabeleça hierarquização entre os mesmos. Sobre o tratamento na academia, as autoras identificaram a predominância de uma abordagem conceitual, sendo este mais homogêneo em pesquisas sobre intersetorialidade.

O quarto artigo dessa edição, Em busca das práticas: contribuições epistemo-metodológicas das teorias da prática aos estudos da gestão social, é de autoria de André Luiz Paiva, Valderí de Castro Alcântara, Elaine Santos Teixeira Cruz e Luís Fernando Silva Andrade. O artigo tem por objetivo elucidar como a perspectiva da estratégia como prática pode auxiliar a compreensão das práticas de gestão social, em suas relações constitutivas com os praticantes, as práxis e s contextos em que estão inseridas. No ensaio teórico os autores partem de um pressuposto que o foco nas práticas possibilita à área de gestão social maior ênfase nos processos de organizar e nas práticas organizativas, sendo essas práticas relevantes para a análise social. Ademais, argumentam como a estratégia como prática pode contribuir para o campo, assumindo a gestão social como atividade compartilhada pelos sujeitos envolvidos.

João André Nascimento Ribas e Maria Lúcia Figueiredo Gomes de Meza assinam o quinto artigo dessa edição. Intitulado Os Conselhos Gestores de Políticas Públicas: espaços de consolidação da Administração Pública Societal? o artigo investiga se os Conselhos Gestores Municipais de Políticas Públicas têm se consolidado como modelos de Administração Pública Societal no Brasil. Como resposta, os autores asseveram que as práticas societais na administração pública ainda estão distantes de serem consolidadas, sendo as demandas atendidas sob a égide das práticas gerenciais. Argumentam, também, sobre a necessidade de os cidadãos ocuparem de maneira mais intensa espaços institucionais, além de exercerem um melhor controle social nos colegiados ainda elitizados.

O sexto artigo dessa edição é de autoria de Damiana Machado de Almeida, Luis Felipe Dias Lopes, Vânia Medianeira Flores Costa e Rita de Cássia Trindade dos Santos. Em Policiais Militares do Estado do RS: relação entre satisfação do trabalho e estresse ocupacional, os autores buscam investigar a relação explicitada no título do artigo. Ancorado em uma abordagem quantitativa, com uma amostra composta por 519 policiais militares de 97 cidades gaúchas, o estudo reforça a relação inversa entre nível de estresse ocupacional e satisfação no trabalho e suas dimensões.

Para fechar essa edição trazemos o caso para ensino Empreendedorismo cultural, aprendizagem e identidade territorial: o desbravamento de jovens músicos do nordeste de Amaralina. De autoria de Israel Marques Campos e Eduardo Davel, o caso busca ilustrar como a cultura, a identidade territorial e as potencialidades da arte, de uma maneira geral, podem auxiliar no processo da educação empreendedora. Para tal, os autores buscam ancorar o caso nos seguintes aspectos: i) empreendedorismo como algo coletivo; ii) necessidade de se considerar as singularidades identitárias; iii) importância da qualificação para o empreendedorismo. A trama desenhada se mostra útil para gestores culturais, empreendedores artísticos, educadores, e líderes comunitários que busquem fomentar o desenvolvimento local baseado na arte.

 

 

Boa Leitura

Wescley Silva Xavier

Editor-Chefe