O Poder Político-Burocrático na Gestão Pública Brasileira: uma Crítica de seus Marcos Reformistas à Luz de Adorno

  • Elisa Zwick Unifal-MG
Palavras-chave: dialética negativa, burocracia, antissistema

Resumo

A conformação da burocracia pública brasileira avançou historicamente pela adoção de modelos excludentes para governar o Estado, integrados à hegemonia necessária para a permanência do poder nas mãos da classe dominante. À luz da dialética negativa de Adorno (2009), apresentamos neste ensaio uma análise crítica antissistema dos marcos reformistas da constelação político-burocrática da Gestão Pública brasileira. Partimos da burocracia do poder desde o Estado Novo, para compreender o poder da burocracia no desenvolvimento da estrutura capitalista dependente, de modo que situamos o democratismo e a estadania como anticategorias do pensamento convencional de democracia e cidadania.

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Biografia do Autor

Elisa Zwick, Unifal-MG
Professora Adjunta Classe C, Nível I, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Alfenas. Mestre e doutora em Administração pela Universidade Federal de Lavras, UFLA. Graduada em Administração pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Unijuí. Possui experiência em Tutoria na Coordenadoria de Educação a Distância no Departamento de Estudos da Administração da Unijuí, onde atuou nos cursos superiores de Tecnologia em Gestão Pública, Gestão de Cooperativas e Marketing, vinculados ao Departamento de Estudos em Administração. Atuou como Tutora no curso de Bacharelado em Administração Pública da UFLA. Também possui experiência docente no Ensino Fundamental e Médio. Possui pesquisa nos temas: administração, cooperativismo, organizações não-governamentais, Gestão Pública e Teoria Crítica. Possui interesse de pesquisa nos temas voltados à Gestão Pública em interface com as Teorias Organizacionais e a Teoria Crítica.

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Publicado
2017-07-03
Como Citar
Zwick, E. (2017). O Poder Político-Burocrático na Gestão Pública Brasileira: uma Crítica de seus Marcos Reformistas à Luz de Adorno. Administração Pública E Gestão Social, 1(3), 216-226. Recuperado de https://periodicos.ufv.br/apgs/article/view/5115
Seção
Artigos