Desenvolvimento Institucional em Organizações da Sociedade Civil: Gestão Social ou Gestão Estratégica do Social?

  • Erik Persson King`s College London (Reino Unido)
  • Luís Moretto Neto Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Palavras-chave: Desenvolvimento Institucional, Terceiro Setor, Gestão Social, Managerialismo

Resumo

Nos últimos anos tem surgido no campo das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no Brasil uma perspectiva teórica e prática denominada Desenvolvimento Institucional (DI). Para além de mero aprimoramento técnico-gerencial das organizações, o DI leva em conta seus posicionamentos no ambiente e suas intervenções para desempenhar suas funções de forma eficiente, legítima e sustentável. Nesse diapasão, o propósito deste artigo é discutir se (i) a proposta de DI em OSCs vai ao encontro dos pressupostos teóricos e conceituais da gestão social, tendo como fim imanente a emancipação dos sujeitos nessas organizações, ou (ii) se permanece arraigada nas premissas managerialistas dominantes da gestão estratégica. Argumentamos que, a despeito das ações de DI terem o potencial de promover espaços promissores para práticas comunicativas, reflexivas e emancipadoras de uma gestão social, esta nova corrente se aproxima, teórica e conceitualmente, de uma perspectiva de gestão estratégica do social, descambando para a ortodoxia do gerencialismo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Erik Persson, King`s College London (Reino Unido)

Doutorando em Management Research/PhD na King’s College London (KCL), Londres, Reino Unido

Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Administrador na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Luís Moretto Neto, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Professor Doutor, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Gestão da Inovação e Desenvolvimento Empresarial do Centro Universitário da UNIFEBE 

Referências

Armani, D. (2001). O desenvolvimento institucional como condição de sustentabilidade das ONGs no Brasil. In: Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Coordenação Nacional de DST e AIDS. (2001). AIDS e Sustentabilidade: sobre as ações das organizações da sociedade civil. Brasília: Ministério da Saúde.

__________. (2002). Sustentabilidade: do que se trata, afinal? Rio Grande do Sul: Unisinos.

__________. (2004). Sustentabilidade: desafio democrático. In: Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. (2004). AIDS e Sustentabilidade: sobre as ações das organizações da sociedade civil. Sustentabilidade: Aids e sociedade civil em debate. Brasília: Ministério da Saúde.

__________. (Org). (2013). Organizações da sociedade civil: protagonismo e sustentabilidade. 1ª ed. Barueri: Instituto C&A.

Astley, W. G. & Van de Ven, A. H. (2005). Debates e perspectivas centrais na teoria das organizações. Revista de Administração de Empresas, 45 (2), 52-73.

Ávila, A. (2013). Uma metodologia para o aprendizado. In: Armani, D. (2013). (Org). Organizações da sociedade civil: protagonismo e sustentabilidade. Barueri: Instituto C&A.

Boeira, S. L., Pereira, A. K. & Tonon, I. L. (2013). De Chanlat e Morin ao institucionalismo organizacional: diversidade, ambiguidade e complexidade. In: Anais do III Colóquio Internacional de Epistemologia e Sociologia da Ciência da Administração, Florianópolis, 20 a 22 de março.

Böhm, S. (2006). Repositioning organization theory. New York: Palgrave MacMillan.

Bresser-Pereira, L. C. & Prestes Motta, F. C. (2004). Introdução à organização burocrática. São Paulo: Thomson.

Bossuyt, J. (2001). Mainstreaming institutional development: why is it important and
how can it be done? European Centre for Development Policy Management (ECDPM).

Cançado, A. C., Sausen, J. O. & Villela, L. E. (2013). Gestão social versus gestão estratégica. In: Tenório, F. G. (Org.). (2013). Gestão social e gestão estratégica: experiências em desenvolvimento territorial. Rio de Janeiro: Editora FGV.

Cançado, A. C., Pereira, J. R. & Tenório, F. G. (2013). Gestão social: epistemologia de um paradigma. Curitiba: Editora CRV.

Cançado, A. C., Tenório, F. G. & Pereira, J. R. (2011). Gestão social: reflexões teóricas e conceituais. Cadernos EBAPE, 9 (3), 681-703.

Carvalho, C. A., Vieira, M. M. F. & Goulart, S. (2005) A trajetória conservadora da teoria institucional. Revista de Administração Pública, 39 (4), 849-74.

Chanlat, J-F. (1999). Ciências Sociais e Management: reconciliando o econômico e o social. São Paulo: Atlas.

__________. (2002). O gerencialismo e a ética do bem comum: a questão da motivação para o trabalho nos serviços públicos. In: Anais do VII Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración Pública, Lisboa, 8 a 11 de outubro.

Clegg, S. (1998). As organizações modernas. Lisboa: Celta Editora/Oeiras.

Clegg, S. R. & Hardy, C. (1996). Introduction organizations, organization and organizing. In: Clegg, S., Hardy, C. & Nord, W. (Eds.). (1996). Handbook of organization studies. London: Sage Publications.

Coelho, S. de C. T. (2002). Terceiro setor: um estudo comparado entre Brasil e Estados Unidos. São Paulo: Editora SENAC.

Dimaggio, P. J. & Powell, W. W. (1983). The iron cage revisited: institutional isomorphism and collective rationality in organizational fields. American Sociological Review, 48 (2), 147-160.

Fernandes, R. C. (1988). Sem Fins Lucrativos. In: Landin, L. (Org.). (1988). Sem Fins Lucrativos: as organizações não governamentais no Brasil. Rio de Janeiro: ISER.

França Filho, G. C. de. (2008). Definindo gestão social. In: Silva JR., J. T., Mâsih, R. T., Cançado, A. C. & Schommer, P. C. (2008). Gestão Social: práticas em debate, teorias em construção. Fortaleza: Imprensa Universitária.

Freire, P. (1987). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Gondim, S. M., Fischer, T. & Melo, V. P. (2006). Formação em gestão social: um olhar crítico sobre uma experiência de pós-graduação. In: XXX Encontro da Anpad, Salvador, 23 a 27 de setembro.

Höpfl, H. (2006). Post-bureaucracy and Weber´s modern bureaucrat. Journal of Organizational Change Management, 19 (1), 8-21.

Horkheimer, M. et al. (1990). Teoria crítica. São Paulo, Perspectiva/Edusp.

Hudson, M. (1999). Administrando organizações do terceiro setor. São Paulo: Makron Books.

Justen, C.E. & Moretto Neto, L. (2013). Que participação é essa? Do instrumentalismo legitimador à autopromoção emancipadora. Revista Pensamento & Realidade, 28 (2), 77-95.

Kallinikos, J. (2004). The social foundation of the bureaucratic order. Organization, 11 (1), 13-36.

Meyer, J. W. & Rowan, B. (1977). Institutionalized organizations: formal structure as myths and ceremony. American Journal of Sociology, 83 (2), 340-363.

Misoczky, M. C. A. & Vecchio, R. A. (2006). Experimentando pensar: da fábula de Barnard à aventura de outras possibilidades de organizar. Cadernos EBAPE.BR, 4 (1), 1-11.

Nanus, B. (2000). Liderança para o Terceiro Setor: estratégias de sucesso para organizações sem fins lucrativos. São Paulo: Futura.

Parker, M. (2002). Against Management: Organization in the Age of Managerialism. Cambridge: Polity.

__________. (2006). Stocholm syndrome. Management Learning, 37 (1), 39-41.

Parker, M. et al. (2014). The question of organization. ephemera, 14(4), 623-638.

Pimentel, M. P. C. & Pimentel, T. D. (2010). Gestão social: perspectivas, princípios e (de)limitações. In: VI Encontro ENEO, Florianópolis, 23 a 25 de maio.

Rodrigues, A. L. (2003). Configurações organizacionais em organizações sem fins lucrativos: reflexões para além da simples adoção de modelos. In: Voltolini, R. (Org.). (2003). Terceiro Setor: planejamento e gestão. São Paulo: Editora SENAC São Paulo.

Rossoni, L. (2012). O que é legitimidade organizacional? In: VII Encontro ENEO, Rio de Janeiro, 20 a 22 de maio de 2012.

Salvatore, V. (2003). A racionalidade do Terceiro Setor. In: Voltolini, R. (Org.). (2003). Terceiro Setor: planejamento e gestão. São Paulo: Editora SENAC São Paulo.

Serva, M. (1997). O Estado e as ONGs: uma parceria complexa. In: Conference on Socio-Economics – Society for the Advancement on Socio-Economics, Montreal, 5 a 7 de julho.

Subirats, J. (2007). Cidadania e espaço público: a perspectiva da gestão social. (posfácio) In:
Tenório, F. G. (Org.). (2007). Cidadania e desenvolvimento local. Rio de Janeiro: FGV; Ijuí: Unijuí.

Teixeira, A. (Org.). (2002). Utópicos, heréticos e malditos: os precursores do pensamento social de nossa época. Rio de Janeiro: Editora Record.

Tenório, F. G. (1998). Gestão social: uma perspectiva conceitual. Revista de Administração Pública, 32(5), 7-23.

__________. (1999a). Um espectro ronda o terceiro setor, o espectro do mercado. Revista de Administração Pública, 33 (5), 85-102.

__________. (1999b). Inovando com democracia, ainda uma utopia. Novos-Cadernos-NAEA, 2 (1), 149-162.

__________. (2005). (Re)Visitando o conceito de gestão social. Desenvolvimento em Questão, 3 (5), 101-124.

__________. (2008). Tem razão a administração? Ijuí: Editora da Unijuí.

__________. (Org.). (2012). Cidadania e desenvolvimento local: critérios de análise. Rio de Janeiro: Editora FGV.

Tragtenberg, M. (2005). Administração, poder e ideologia. São Paulo: Editora UNESP.

__________. (2006). Burocracia e ideologia. São Paulo: Editora UNESP.

Voltolini, R. (Org.). (2003). Terceiro Setor: planejamento e gestão. São Paulo: Editora SENAC São Paulo.
Publicado
2020-05-06
Como Citar
Persson, E., & Moretto Neto, L. (2020). Desenvolvimento Institucional em Organizações da Sociedade Civil: Gestão Social ou Gestão Estratégica do Social?. Administração Pública E Gestão Social, 12(3). https://doi.org/10.21118/apgs.v12i3.5405
Seção
Artigos