Sobre a (im)possibilidade de dar voz aos usuários das políticas públicas

reflexões a partir da prática intersetorial

Palavras-chave: Família. Intersetorialidade. Intervenção Psicossocial.

Resumo

Esse artigo coloca em análise as relações da prática intersetorial com as famílias no Núcleo Intersetorial Regional Técnico (NIR-T) de uma das regionais de Belo Horizonte, espaço para a discussão de casos graves de violação social. Esse estudo tem a pesquisa-intervenção como metodologia e as ideias de Deleuze e Guattari e René Lourau como marco teórico. No processo da pesquisa tivemos dificuldades com as entrevistas com as famílias, que não puderam ser escutadas como planejado. Examinamos essa inviabilidade como um analisador, que torna visível a tensão do que é reproduzido pelas instituições, mas também a produção do novo, do que gera conflito. Constatamos a presença de alguns “não ditos” institucionais: a mudança de prefeito, a proteção dos profissionais e das famílias, a passividade, mas também a necessidade de sustentar a diferença das famílias. Concluímos que a avaliação das políticas públicas pelos usuários é essencial para a sustentação da prática intersetorial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Roberta Carvalho Romagnoli, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas)

Professora do programa de Pós-graduação em Psicologia da PUC Minas. Pesquisadora do CNPq e da FAPEMIG.

Referências

ABRAHÃO, Ana Lúcia et al. O pesquisador in-mundo e o processo de produção de outras formas de investigação em saúde. Lugar Comum, n. 39, p. 133-144, 2013.

AMADOR, Fernanda Spanier; LAZZAROTTO, Gislei Domingas Romanzini; SANTOS, Nair Iracema Silveira dos. Pesquisar-agir, pesquisar-intervir, pesquisar-interferir. Revista Polis e Psique, Porto Alegre, v. 5, n. 2, p. 228-248, 2015. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/index.php/PolisePsique/article/view/58180/pdf_26. Acesso em: 22 mar. 2018.

ANDRADE, Anne Graça de Sousa; MORAIS, Normanda Araújo de. Avaliação do atendimento recebido no CRAS por famílias usuárias. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 37, n. 2, p. 378-392, 2017.

BALCONI, Lucas Ruiz. Direito e política em Deleuze. 1. ed. São Paulo: Idéias e Letras, 2018.

CAVALCANTI, Patrícia Barreto; LUCENA, Carla Mousinho Ferreira. O uso da promoção da saúde e a intersetorialidade: tentativas históricas de integrar as políticas de saúde e educação. Polêmica, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p. 24-41, jan./mar. 2016.

DELEUZE, Gilles. Espinosa: filosofia prática. São Paulo: Escuta, 2002.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Introdução: rizoma. In: DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix (Org.). Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Tradução Aurélio Guerra Neto e Celia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, v. 1, 1995. p. 11-37.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Tratado de Nomadologia: A Máquina de Guerra. In: DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix (Org.). Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Tradução Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. Rio de Janeiro: Editora 34, v. 5, 1997. p. 07-95.

FERREIRA, Thayane Pereira da Silva et al. O reconhecimento do saber do outro como válido: as apostas que os usuários fazem sobre sua vida x a decisão dos trabalhadores de saúde sobre a vida do outro. In: MERHY, Emerson Elias et al. (Org.). Avaliação compartilhada do cuidado em saúde: surpreendendo o instituído nas redes. Rio de Janeiro: Hexis, 2016. p. 96-99.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 20 ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004.

LOURAU, René. Implication et surimplication. La revue du Mauss. Paris, n. 10, p. 110-119, 1990.

LOURAU, René. Objeto e método da Análise Institucional. In: ALTOÉ, Sônia (Org.). René Lourau: analista institucional em tempo integral. São Paulo: Hucitec, 2004. p. 66-86.

MONCEAU, Gilles. Tecchiques socio-cliniques pour l’analyse institutionnelle des pratiques. In: MONCEAU, Gilles (Org.) L'analyse institutionnelle des pratiques: une socio-clinique des tourments institutionnels. Paris: L’Harmattan, 2012. p. 15-35.

MONNERAT, Giselle Lavinas; SOUZA, Rosimary Gonçalves de. Da seguridade social à intersetorialidade: reflexões sobre a integração das políticas sociais no Brasil. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 14, n. 1, jun. 2011.

OLIVEIRA, Clever Manolo Coimbra; HECKERT, Ana Lúcia Coelho. Os Centros de Referência de Assistência Social e as artes de governar. Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, v. 25, n. 1, p. 145-160, abr. 2013.

PAULON, Simone Mainieri; ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. Quando a Vulnerabilidade se faz Potência: notas acerca de um conceito polissêmico nas políticas públicas. Interação em Psicologia, v. 22, n. 3, p. 178-187, dez. 2018.

PASSOS, Eduardo; BARROS, Regina Benevides de. A cartografia como método de pesquisa-intervenção. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015. p. 17-31.

ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. As relações entre as famílias e a equipe do CRAS. Fractal: Revista de Psicologia. Niterói, v. 30, n. 2, p. 214-222, maio/ago. 2018.

ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. Problematizando as noções de vulnerabilidade e risco social no cotidiano do SUAS. Psicologia em Estudo. Maringá, v. 20, n. 3, p. 449-459, jul./set. 2015.

ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. O conceito de implicação e a pesquisa-intervenção institucionalista. Psicologia e Sociedade. Belo Horizonte, v. 26, n. 1, p. 44-52, abr. 2014.

SANTOS, Keli Lopes; HECKERT, Ana Lucia Coelho; CARVALHO, Silvia Vasconcelos. Família e mulher como instrumentos de governo na assistência social. Psicologia e Sociedade, Belo Horizonte, v. 29, e158080, p. 1-10, 2017.

SOUZA, Xismara Rodrigues de; MARIN, Angela Helena. Intervenção com famílias em descumprimentos das condicionalidades do Programa Bolsa Família. Saúde e sociedade, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 596-605, jun. 2017.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS - TJEMG. Portaria 3/2016. Dispõe sobre o procedimento para encaminhamentos de crianças recém-nascidas e dos genitores ao Juízo da Infância e da Juventude, assim como oitiva desses, nos casos de grave suspeita de situação de risco, e sobre o procedimento de medidas de proteção. Diário do Judiciário Eletrônico, Belo Horizonte, MG, 22 de julho de 2016.

WARSCHAUER, Marcos; CARVALHO, Yara Maria de. O conceito de “Intersetorialidade”: contribuições ao debate a partir do Programa Lazer e Saúde da Prefeitura de Santo André/SP. Saúde e sociedade, São Paulo, v. 23, n. 1, p. 191-203, mar. 2014.

Publicado
2019-02-15
Como Citar
Romagnoli, R. C. (2019). Sobre a (im)possibilidade de dar voz aos usuários das políticas públicas : reflexões a partir da prática intersetorial. Educação Em Perspectiva, 10, e019002. https://doi.org/10.22294/eduper/ppge/ufv.v10i0.7130