EFEITO DA ADIÇÃO DE CASCA DE ARROZ NA DECOMPOSIÇÃO ANAERÓBICA DE DEJETOS SUÍNOS SOBRE OS TEORES DE MACRO E MICRONUTRIENTES

  • Nelson Cristiano Weber Mestrando, Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS. Porto Alegre, RS.
  • Carlos Alexandre Oelke Professor, Universidade Federal do Pampa/UNIPAMPA, Campus Uruguaiana, RS. *Autor para correspondência. Rua José Garibaldi, 3150. CEP: 97502-714. Bairro São Miguel. Uruguaiana-RS.
  • Eduardo Bohrer de Azevedo Professor Adjunto, Universidade Federal do Pampa/UNIPAMPA, Campus Itaqui, RS.
  • Alcides Adalberto Bairros Ramos Discente do Curso de Graduação em Agronomia. Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Itaqui, RS, Brasil.
  • Jean Carlos F. Fresinghelli Discente do Curso de Graduação em Agronomia. Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Itaqui, RS, Brasil.
  • João Carlos Pozzatti Winckler Discente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária. Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana, RS.
Palavras-chave: Composto orgânico, Fermentação, Macronutrientes, Micronutrientes

Resumo

A suinocultura tem se intensificado nos últimos anos, e com ela, a preocupação com os impactos ambientais, principalmente associados ao manejo e uso dos dejetos. Tal fato instiga a investigação de usos
alternativos para tais resíduos, seja na geração de energia menos poluente ou utilização na agricultura, associando seu uso a outros resíduos, como a casca de arroz. Assim, com o presente trabalho objetivou-se avaliar o processo de fermentação dos dejetos suínos, misturados ou não à casca de arroz, e o efeito deste processo na composição química de macro e micronutrientes, bem como seu potencial uso como adubo orgânico. O tratamento um
foi constituído de 1,56 m3 dejetos suínos, e o tratamento dois por 1,1 m3 de dejetos suínos e 0,46 m3 de casca de arroz, que foram distribuídos em 10 tanques (composteiras) com dimensões de 1,0 m (altura) x 2,0 m (comprimento) x 1,0 m (largura). O delineamento foi inteiramente ao acaso, com dois fatores (com e sem casca) e tempo
de fermentação (0, 125 e >267 dias). Os dejetos apresentaram concentração de sólidos totais menores que 2% no inicio do experimento, a adição de casca de arroz somente influenciou a relação carbono (C): nitrogênio (N), onde apresentou elevação da relação devido principalmente aos compostos orgânicos da casca. Os teores
de macro e micronutrientes foram aumentados até o período de 125 dias, podendo ser observado a mineralização dos nutrientes e maior disponibilidade para as plantas, porém, no período superior aos 267 dias, houve redução em torno de 75% destes nutrientes, indicando menor disponibilidade e perda de qualidade química do composto.
O período de armazenagem de 125 dias é o que demonstra conferir os melhores resultados, embora o teor de umidade elevado permita sua utilização somente como fertilizante orgânico fluido.

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Biografia do Autor

Nelson Cristiano Weber, Mestrando, Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS. Porto Alegre, RS.
Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Pampa (2016), atualmente é aluno em nível de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faz parte do Laboratório de biologia, ecologia e controle biológico de insetos (BIOECOLAB), desenvolvendo atividades de pesquisas relacionadas com identificação e controle biológico de pentatomidae em lavouras de arroz no Rio Grando do Sul
Carlos Alexandre Oelke, Professor, Universidade Federal do Pampa/UNIPAMPA, Campus Uruguaiana, RS. *Autor para correspondência. Rua José Garibaldi, 3150. CEP: 97502-714. Bairro São Miguel. Uruguaiana-RS.
Possui graduação em Zootecnia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2005), mestrado em Ciências Veterinárias (área de Produção Animal) pela Universidade Federal do Paraná (2007), e doutorado em Zootecnia (área de Produção Animal) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Uruguaiana. Tem experiência na área de nutrição e produção de aves e suínos, e tratamento de dejetos.
Eduardo Bohrer de Azevedo, Professor Adjunto, Universidade Federal do Pampa/UNIPAMPA, Campus Itaqui, RS.

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (2004), mestrado em Produção Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2007) e doutorado em Produção Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com período sanduíche na Massey University (Nova Zelândia) (2011) e projeto de cooperação com a UNICEN (Argentina). Atualmente é Professor Adjunto da UNIPAMPA, Campus de Itaqui (RS) na área de Produção de Ruminantes e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (Uruguaiana). Tem experiência na área de Produção Animal, com ênfase em Avaliação de Alimentos para Animais, atuando principalmente nos seguintes temas: Análises Bromatológicas, Nutrição Animal, Plantas Forrageiras, Produção e Manejo de Ruminantes.

 

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Publicado
2017-05-17
Como Citar
Weber, N. C., Oelke, C. A., de Azevedo, E. B., Ramos, A. A. B., Fresinghelli, J. C. F., & Winckler, J. C. P. (2017). EFEITO DA ADIÇÃO DE CASCA DE ARROZ NA DECOMPOSIÇÃO ANAERÓBICA DE DEJETOS SUÍNOS SOBRE OS TEORES DE MACRO E MICRONUTRIENTES. Revista Brasileira De Agropecuária Sustentável, 7(1). https://doi.org/10.21206/rbas.v7i1.389
Seção
Artigos