Interseccionalidade, identidade racial e o dilema do “pardo”

reflexões sobre identidade racial e heteroclassificação no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.32361/2021130312449

Palavras-chave:

Heteroclassificação, Interseccionalidade, Identidade, Raça

Resumo

O presente artigo tem por objetivo refletir sobre a contribuição que a interseccionalidade – conceito que emerge com o movimento Black Feminism do final dos anos 1970, e que denuncia a incapacidade de análises unidimensionais das opressões de gênero ou raça contribuir para as lutas emancipatórias das mulheres negras estadunidenses – pode oferecer para compreendermos o fenômeno da identidade racial no contexto brasileiro. Considerando principalmente o problema de determinar a identidade racial do sujeito brasileiro que se declara pardo apenas pela avaliação das características físicas, pretende-se demonstrar que análises interseccionais podem contribuir significativamente para a melhor realização dos processos de heteroclassificação instaurados para avaliar identidade racial de candidatos que concorrem às vagas reservadas pelo critério da raça em concursos públicos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Victor Schittini Teixeira, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: victorschittini@gmail.com.

Referências

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

APPIAH, Kwame Anthony. Identidade como problema. In: BRASILIO, S. J.; SCHWARCZ, L. M; VIDAL, D; CATANI, A. (orgs). Identidades. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2018. p. 17-32.

BILGE, Sirma. Théorisations féministes de l’intersectionnalité. Diogène, v. 1, n. 225, p. 70-88, 2009. Disponível em: https://www.cairn.info/revue-diogene-2009-1-page-70.htm. Acesso em: 10 fev. 2021.

CRENSHAW, Kimberlé W. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos feministas, v. 1, p.171-189, 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ref/v10n1/11636.pdf. Acesso em: 10 fev. 2021.

CRENSHAW, Kimberle W. A intersecionalidade na discriminação de raça e gênero. Cruzamento: raça e gênero. Brasília: Unifem, 2004. p. 7-16. Disponível em: https://nesp.unb.br/popnegra/images/library/Kimberle-Crenshaw-Intersecionalidadenadiscriminaoderaaegenero.pdf. Acesso em: 10 fev. 2021.

DUBAR, Claude. Classe e identidade: substituição ou mistura. In: BRASILIO, S. J.; SCHWARCZ, L. M; VIDAL, D; CATANI, A. (orgs.). Identidades. São Paulo: Editora da Universidade de São Paul, 2018. p. 173-192.

GUIMARÃES, Antônio Sérgio Alfredo. Classes, Raças e democracia. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2012. 238 p.

GUIMARÃES, Antônio Sérgio Alfredo. Combatendo o racismo: Brasil, África do Sul e Estados Unidos. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 14, n. 39, p 103-117, 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69091999000100006. Acesso em: 2- fev. 2021.

HIRATA, Helena. Gênero, classe e raça: interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais". Tempo social, v. 26, n. 1, p. 61-73, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ts/v26n1/05.pdf. Acesso em: 10 fev. 2021.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA, IPEA. Retrato das desigualdades de gênero e raça. 4. ed. Brasília: Ipea. 2011. 39 p.

LIMA, Maria Batista. Identidade étnico/racial no Brasil: uma reflexão teórico-metodológica. Revista Fórum Identidades, Itabaiana, v. 3, ano 2, p. 33-46, 2008. Disponível em: https://seer.ufs.br/index.php/forumidentidades/article/view/1742. Acesso em: 20 fev. 2021.

PIZA, Edith. Porta de vidro: entrada para a branquitude. In: CARONE, I., BENTO, M. A. S. (orgs.), Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 59-90.

PIZA, Edith, ROSEMBERG, Fúlvia. Cor nos censos brasileiros. In: CARONE, I., BENTO, M. A. S. (orgs.), Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 91-120.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociais, 2005. p. 117-142. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624103322/12_Quijano.pdf. Acesso em: 10 fev. 2021.

Downloads

Publicado

2021-09-08

Como Citar

TEIXEIRA, V. S. Interseccionalidade, identidade racial e o dilema do “pardo”: reflexões sobre identidade racial e heteroclassificação no Brasil. Revista de Direito, [S. l.], v. 13, n. 03, p. 01-19, 2021. DOI: 10.32361/2021130312449. Disponível em: https://periodicos.ufv.br/revistadir/article/view/12449. Acesso em: 19 out. 2021.

Edição

Seção

Artigos de fluxo contínuo