Práticas educativas inclusivas na educação infantil: superando a marcação social de gênero e raça entre as crianças pequenas

  • Elizabete Cristina Costa-Renders Universidade Municipal de São Caetano do Sul
  • Rosana Donizeti Martinho Gazotto Universidade Municipal de São Caetano do Sul
  • Cleia Souza Santos Universidade Municipal de São Caetano do Sul http://orcid.org/0000-0001-7397-7590
Palavras-chave: Educação inclusiva. Educação infantil. Práticas educativas. Gênero. Etnia. Diferenças.

Resumo

Este artigo relata um processo de reflexão sobre a própria prática educativa que aconteceu no âmbito dos estudos da disciplina Educação Inclusiva, num programa de mestrado profissional em educação, oferecido por uma universidade pública municipal. Aborda os relatos de 02 professoras que atuam na Educação Infantil a partir da seguinte pergunta: como as práticas educativas cotidianas podem contribuir para a construção da escola inclusiva? Opta pelo estudo sistemático da marcação social da diferença entre as crianças pequenas (gênero e raça) a partir da interface entre as políticas de educação inclusiva e as práticas na educação infantil. Os estudos fundamentaram-se no referencial teórico do paradigma da inclusão, trabalhando temas como diversidade, inclusão e múltiplas linguagens na Educação Infantil. Esta ação reflexiva resultou em duas proposições: 1. Há meios para rompermos com a marcação de raça e gênero nos cotidianos das instituições de Educação Infantil; 2. Há um potencial inclusivo nas brincadeiras e no brincar com os brinquedos não estruturados, quando este sustenta-se nos princípios éticos e estéticos multiculturais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Elizabete Cristina Costa-Renders, Universidade Municipal de São Caetano do Sul
Pós Doutora e Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Docente no Programa de Pós-Graduação em Educação (mestrado profissional em Educação) da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.
Rosana Donizeti Martinho Gazotto, Universidade Municipal de São Caetano do Sul
Mestranda em Educação pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul.
Cleia Souza Santos, Universidade Municipal de São Caetano do Sul
Mestranda em Educação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Professora ensino Infantil e Fundamental I da Prefeitura Municipal de São Paulo.

Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.

BRASIL. Lei N. 11.645, de março de 2008. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena". Brasília, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei N. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1996.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução N. 1, de 17 de junho de 2004. Institui as diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, 2010.

BRASIL. Ministério da Educação. Educação infantil e práticas promotoras de igualdade racial. São Paulo: CEERT/Instituto Avisa lá, 2012. Disponível em:
FINCO, Daniela; OLIVEIRA, Fabiana de. A sociologia da pequena infância e a diversidade de gênero e de raça nas instituições de educação infantil. In: FARIA, Ana Lúcia Goulart de; FINCO, Daniela (Orgs.). Sociologia da infância no Brasil. São Paulo: Autores Associados, 2011. P. 55-80.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa: Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. 320p.

GOBBI, Márcia. Múltiplas linguagens de meninos e meninas no cotidiano da Educação Infantil. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2018.

GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988. 158p.

GOMES, Nilma Lino. Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. 471p

HERNANDEZ, Fernando. Os projetos de trabalho. Revista de Educação. Porto Alegre, v. 3, n. 4, p. 2-7, 2001.

KISHIMOTO, Tizuco Morchida (Org.) Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 3 ed. São Paulo: Cortez 1993. 207p.

KUHLMANN, Moysés Jr. Histórias da Educação Infantil Brasileira. Revista Brasileira de Educação. Rev. Bras. Educ. [online]. Rio de Janeiro, n. 14, p. 5-18, maio/ago. 2000.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Para uma escola do século XXI. Campinas: UNICAMP, 2013. 122p.

MOSS, Peter. Introduzindo a política na creche: a Educação Infantil como prática democrática. Revista Psicologia USP. São Paulo, v. 20, n. 3, p. 417- 436, jul./set. 2009.

MOURA, Tainá Narô da Silva de. Gênero e relações étnico-raciais no mercado de trabalho: aparência da mulher negra na organização. 2013. 64 f. Monografia (Bacharelado em Comunicação Organizacional). Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

NOVA, Daniel. Pantera Negra e a importância da representatividade. 2017. Disponível em: . Acesso em: 4 fev. 2018.

OLIVEIRA, Zilma de Morais Ramos de. A criança e seu desenvolvimento: perspectivas para se discutir a educação infantil. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2000. 159p.

ONU. Relatório sobre as minorias no Brasil. 2016. Disponível em: . Acesso em: 4 fev. 2018.

PIBID, Filosofia/UFMT. Filosofia e consciência negra. 2010. Disponível em: . Acesso em: 9 mar. 2018.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2008. 512p.
Publicado
2019-01-02
Como Citar
Costa-Renders, E. C., Gazotto, R. D. M., & Santos, C. S. (2019). Práticas educativas inclusivas na educação infantil: superando a marcação social de gênero e raça entre as crianças pequenas. Educação Em Perspectiva, 9(2), 414-433. https://doi.org/10.22294/eduper/ppge/ufv.v9i2.971
Seção
Relatos de experiência