A trajetória Ininterrupta da Reforma do Aparelho de Estado no Brasil: Continuidades nos Marcos do Neoliberalismo e do Gerencialismo

Autores

  • Maria Ceci Araujo Misoczky Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Paulo Ricardo Zilio Abdala Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Luiza Araujo Damboriarena Universidade Federal do Pampa.

Palavras-chave:

Reforma do Aparelho de Estado. Neoliberalismo. Gerencialismo.

Resumo

O argumento deste ensaio defende que a reforma do aparelho do Estado é um processo continuado e ininterrupto, relacionado com a renovação do neoliberalismo como ideologia dominante no estágio atual do capitalismo. Neste contexto, o gerencialismo funciona como matriz teórico-ideológica, servindo como marco para o processo de reforma em sua dimensão tática, subordinada a uma estratégia de acumulação no qual o Estado deve facilitar os negócios. A construção do argumento parte da história como recurso fundamental para compreender o presente, lançando luzes na relação essencial entre as transformações das Teorias Organizacionais e a constituição da Administração Pública como área, desde sua origem até os tempos atuais, marcados pelo gerencialismo. Como ilustração, são apresentados os casos da criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares e das transformações recentes do ensino e pesquisa, reforçando a necessidade de ampliar a compreensão do significado e alcance das reformas do aparelho de Estado na contemporaneidade.

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Biografia do Autor

Maria Ceci Araujo Misoczky, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professora Associada da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do seu Programa de Pós-Graduação. Co-Chair do Critical Management Studies International Board. Professora Visitante na Universidad Nacional del Sur (Argentina) e na Universidad EAFIT (Colômbia). Graduada em Medicina pela UFRGS(1978), Mestre em Planejamento Urbano e Regional (1990) e Doutora em Administração também pela UFRGS. Coordenadora dos Grupos de Pesquisa Organização e Práxis Libertadora e Gestão em Saúde. Coordenadora do Mestrado Interinstitucional em Administração na Universidade Federal do Acre. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração Pública e Estudos Organizacionais. Temas de interesse em suas pesquisas: práticas organizacionais de movimentos e lutas sociais, crítica à economia política da organização, produção social de políticas públicas, pensamento social brasileiro e latino-americano, gestão em saúde.

Paulo Ricardo Zilio Abdala, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutor em Administração pelo PPGA - UFRGS, na área de estudos organizacionais, participante do grupo de pesquisa Organização e Práxis Libertadora, docente e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ainda possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002), especialização em Comunicação com o Mercado na ESPM-RS (2006) e mestrado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008). Na pesquisa acadêmica tem como foco os seguintes temas: estudos organizacionais, crítica a economia política das organizações, teoria crítica da administração e do consumo, pensamento social brasileiro e latino-americano, estudos críticos do desenvolvimento e movimentos sociais.

Luiza Araujo Damboriarena, Universidade Federal do Pampa.

Doutoranda em Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, área de Estudos Organizacionais; Mestre em Administração pela mesma Universidade; e graduada em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria. Também é membro do Grupo de Pesquisa Organização e Práxis Libertadora

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Arquivos adicionais

Publicado

2017-07-03

Como Citar

Misoczky, M. C. A., Abdala, P. R. Z., & Damboriarena, L. A. (2017). A trajetória Ininterrupta da Reforma do Aparelho de Estado no Brasil: Continuidades nos Marcos do Neoliberalismo e do Gerencialismo. Administração Pública E Gestão Social, 1(3), 184-193. Recuperado de https://periodicos.ufv.br/apgs/article/view/5126

Edição

Seção

Artigos