GONGOCOMPOSTO: SUBSTRATO ORGÂNICO PROVENIENTE DE RESÍDUOS DE PODA PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE ALFACE

  • Nathalia Oliveira Cruz Bugni Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Mestra em Fitotecnia
  • Luiz Fernando de Sousa Antunes Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Mestre em Agronomia│Ciência do Solo│UFRRJ
  • José Guilherme Marinho Guerra Embrapa Agrobiologia - Pesquisador
  • Maria Elizabeth Fernandes Correia Embrapa Agrobiologia - Pesquisadora
Palavras-chave: Resíduos orgânicos, gongolos, substrato orgânico, Agroecologia.

Resumo

O substrato constitui-se em um dos fatores limitantes à produção de mudas, tornando-se importante o constante desenvolvimento de tecnologias que possibilitem produzir substratos a partir de materiais renováveis e de baixo custo. Este trabalho objetivou avaliar a eficiência dos substratos orgânicos obtidos pela gongocompostagem mediada pelo diplópode Trigoniulus corallinus, na produção de mudas de alface crespa. Os resíduos empregados na gongocompostagem foram os galhos finos e folhas de quatro espécies arbóreas: Terminalia catappa (Amendoeira), Licania tomentosa (Oiti), Senna siamea (Cassia), Albizia lebbeck (Albizia), os quais foram compostados por 120 dias. Os substratos gerados foram caracterizados quanto às suas propriedades físicas, físico-químicas e químicas. O delineamento experimental adotado foi o inteiramente casualizado, com 12 tratamentos e cinco repetições, dispostos em arranjo fatorial 6x2 (substratos com e sem adição de farelo de mamona). Aos 21 dias após a semeadura avaliou-se a massa fresca e seca da parte aérea, massa fresca e seca de raízes, o vigor da muda e estabilidade do torrão. A análise física e química dos gongocompostos revelou que as características se encontravam dentro de níveis adequados ao emprego como substratos. Os gongocompostos proporcionaram crescimento de parte aérea e de raízes  semelhantes entre si, todavia, quando o farelo de mamona foi adicionado aos gongocompostos, as produções de parte aérea e de raízes foram otimizadas, sobretudo no substrato constituído de Licania tomentosa e Albizia lebbeck, que proporcionou a obtenção de mudas com vigor maior do que o substrato SIPA e menor apenas do que o substrato comercial avaliado.

 

 

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Biografia do Autor

Nathalia Oliveira Cruz Bugni, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Mestra em Fitotecnia
Mestre em Fitotecnia na área de Agroecologia pela UFRRJ, realizou suas pesquisas na Fazendinha Agroecológica Km 47 - Embrapa Agrobiologia.Graduada em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em 2015. Durante a graduação desenvolveu sua iniciação científica na área de Química da Rizosfera, sendo bolsista pela FAPERJ e contribuindo com o projeto Petro Bio Girassol, Mamona e Pinhão-Manso no Semiárido, com foco em Agricultura familiar, financiado pela Petrobrás. Atuou também na Prefeitura do Rio de Janeiro, com foco em Paisagismo Urbano e Meio Ambiente e foi monitora da disciplina de Controle de Qualidade de Produtos Agropecuários. 
Luiz Fernando de Sousa Antunes, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Mestre em Agronomia│Ciência do Solo│UFRRJ

Atualmente é Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia pela UFRRJ, desenvolvendo projetos de pesquisas voltados à Agroecologia. Mestre em Agronomia - Ciência do Solo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2017), graduou-se em Engenharia Agronômica pela mesma Universidade no ano de 2015 e também possui graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Módulo (2009). Foi bolsista de iniciação científica por dois anos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Agrobiologia, com experiência em triagem e monitoramento da fauna do solo, compostagem de resíduos orgânicos e produção de mudas de hortaliças em bandejas com substratos orgânicos.

 
José Guilherme Marinho Guerra, Embrapa Agrobiologia - Pesquisador

Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1983), mesma instituição em que cursou o doutorado em Agronomia - Ciência do Solo (1993). É pesquisador A da Embrapa Agrobiologia, pesquisador 1-D no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico (CNPq), professor na Universidade Federal Rural do Rio de janeiro no Programa de Pós-graduação em Fitotecnia e no Programa de Pós-graduação em Agricultura Orgânica, no qual leciona a disciplina "Gestão da Biomassa vegetal em Sistemas Orgânicos de Produção". Orienta alunos de mestrado e de doutorado. Atua na área de agricultura orgânica com ênfase em adubação verde e olericultura orgânica. É bolsista do programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ e de produtividade no CNPq, coordenando projetos de pesquisa e desenvolvimento financiados por estas instituições. Coordena um grupo de pesquisa em agricultura orgânica no diretório do CNPq. Apoia ações de pesquisa e de socialização do conhecimento junto a agricultores orgânicos e agroecológicos em parceria com associações, articulações e outros grupos organizados.
Maria Elizabeth Fernandes Correia, Embrapa Agrobiologia - Pesquisadora
Possui graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1991), mestrado em Ecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994) e doutorado em Agronomia (Ciências do Solo) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2003). Atualmente é pesquisador A da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Fauna de Solo, atuando principalmente nos seguintes temas: recuperação de áreas degradadas, ecotoxicologia de solos e agroecologia 

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Publicado
2019-11-24
Como Citar
Bugni, N. O. C., Antunes, L. F. de S., Marinho Guerra, J. G., & Fernandes Correia, M. E. (2019). GONGOCOMPOSTO: SUBSTRATO ORGÂNICO PROVENIENTE DE RESÍDUOS DE PODA PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE ALFACE. Revista Brasileira De Agropecuária Sustentável, 9(3). https://doi.org/10.21206/rbas.v9i3.8107
Seção
Artigos