Arquivos - Página 2

  • Ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras para crianças
    n. 2 (2013)
    A implantação do ensino de línguas estrangeiras destinado às crianças tem, na atualidade, conhecido um revigoramento e real desenvolvimento no mundo da formação cultural, a partir das primeiras experiências em escolas fundamentais europeias nos anos 60 do século passado. É crescente o interesse no ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras para crianças nos mais variados contextos. No Brasil, ainda que pouco conhecida, essa modalidade de ensino já conta com significativas experiências e iniciativas na área.

    No presente dossiê, os trabalhos enfocam principalmente o ensino das línguas estrangeiras Inglês e Francês, destacando-se o lúdico como instrumento para sua implementação. O ensino-aprendizagem da língua de sinais, Libra, nesse contexto, além de seu reconhecimento como segunda língua ou língua estrangeira, aponta para os desafios e as conquistas da comunidade surda do Brasil.

    Em Ensinar uma língua estrangeira às crianças: Savoir-faire, Savoir-dire, Christianne Benatti Rochebois, quem ademais coordenou o dossiê, discute a teoria e a prática relacionadas ao ensino do Francês Língua Estrangeira, constatando o aumento de profissionais das línguas estrangeiras que se dedicam a essa modalidade de ensino. Para a autora, que faz um histórico das experiências do ensino-aprendizagem destinado a crianças, principalmente no campo do ensino do Francês, é preciso ficar vigilante para que os mal-entendidos linguísticos não se instalem já no primeiro contato com a língua estrangeira, e se deve trabalhar atividades que permitam apreciar as capacidades de comunicação, recepção e produção de cada aprendiz. Destaca uma abordagem lúdica, como se verá também em outros trabalhos do dossiê.

    Juliana Reichert Assunção Tonelli, em Histórias infantis e ensino de Inglês para crianças: reflexões e contribuições, propõe, como instrumento de ensino do Inglês, o uso de histórias infantis, que são mais do que palavras, são veículos propulsores de aprendizagem segura de outras línguas, y que isso não deve ser adiado. Pautando-se principalmente nos estudos vygotskyanos, afirma que é por meio de aprendizagem significativa e da cooperação e participação do "outro" que as crianças aprendem uma língua estrangeira.

    No artigo Ensino-aprendizagem de Língua Brasileira de Sinais para crianças, Josiane das Graças Carvalho, Juliana Aparecida Acácio Ambrósio e Sirlara Donato Assunção Wandenkolk Alves e Michelle Nave Valadão buscam discutir o ensino de Libras como segunda língua ou língua estrangeira para crianças, levando em consideração suas características. Destacam a importância do uso de recursos lúdicos neste processo de ensino-aprendizagem de sinais, como ações favorecedoras do desenvolvimento linguístico, cognitivo, psicomotor, intelectual e sociocultural tanto das crianças surdas como das ouvintes.

    Variedade multimodal de gêneros textuais nos livros didáticos de Francês para crianças, de Maria Rennally Soares da Silva e Josilene Pinheiro Mariz, apresenta reflexão sobre a multimodalidade nos livros didáticos de Francês como língua estrangeira para crianças, verificando a sua ocorrência e indicando-os como um suporte eficaz na promoção da leitura literária em língua estrangeira. Para as autoras, um dos melhores caminhos para se chegar à aquisição da competência intercultural, com a multimodalidade, seria através da leitura literária para fruição, uma vez que ela propicia à criança uma porta de entrada para o imaginário infantil.

    Com Aprender brincando: o ensino-aprendizagem de Francês para crianças, os autores Aline Hitomi Sumiya, Rafael Lobão Gotti e Christianne Benatti Rochebois enfocam a aprendizagem de língua estrangeira, especificamente o Francês, através do lúdico. O estudo é fruto de pesquisa e intervenção em duas escolas maternais mantidas pela Universidade Federal de Viçosa, com crianças de quatro a seis anos, o que tem permitido o aprimoramento das metodologias didáticas trabalhadas. Com o estudo, buscam desmistificar a concepção de que para ensinar uma língua para crianças é necessário, somente, ter o domínio da língua-alvo. Para os autores é de suma importância também ter o conhecimento do público com o qual se trabalha, no caso, o público infantil, e o brincar em língua francesa foi muito eficaz no que se refere à assimilação do papel social desempenhado pela língua e na relação que ela tem com o mundo.

    Em Atividade de desenho sobre histórias infantis na aprendizagem de Inglês para crianças, Juliana Reichert Assunção Tonelli e Haraceli Oliveira Lima realizam uma análise de desenhos, e suas explicações, de dois grupos de alunos, com faixa etária entre 3 e 4 anos, de uma escola particular da cidade de Maringá, Paraná, em que colheram impressões das crianças sobre aspectos de histórias infantis usadas nas aulas de Inglês. Observam que a atividade de desenho constituiu importante ferramenta para que os alunos revelem seus sentimentos, opiniões e emoções gerados pela temática da história infantil, que assim funciona como instrumento de ensino-aprendizagem de língua estrangeira para crianças.

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    Revista de Ciências Humanas traz, como sempre, a seção "Estudos & Debates", com artigos diversos, e conta também com a resenha Mais além dos vestígios da história colonial na Guiné e Resumos de Dissertações.

     

    Boa leitura.

     

    Os editores:

    Christianne Benatti Rochebois (UFV)

  • Contabilidade, gestão pública e organizações
    n. 1 (2013)
    Os artigos que compõem o dossiê Contabilidade, gestão pública e organizações derivaram, em parte, de papers apresentados na II Mostra Científica do V Congresso UFV de Administração e Contabilidade, realizado em maio de 2012, com o tema “Os desafios do cenário econômico e internacional para a Contabilidade, a Gestão Pública e Organizações”. Algumas das temáticas discutidas no evento se refletem aqui.

    No artigo Just-in-time e seus efeitos sobre o desempenho seus autores buscam identificar quais os efeitos que a implantação do sistema just-in-time traz sobre o desempenho financeiro das empresas, retratando os aspectos capazes de influenciar essa relação.

    Em Práticas de gestão e sua legitimação conclui-se que as mudanças organizacionais ocorrem não simplesmente em razão de necessidades de eficiência ou por competição, mas em decorrência de processos que tornam as organizações mais homogêneas.

    Com o foco no processo de harmonização contábil aos padrões internacionais, especificamente a evidenciação de informações, o artigo Grau de divulgação de informações por segmentos retrata as diferenças existentes na evidenciação das informações por segmentos operacionais das empresas, ao destacar que empresas pertencentes a setores com maior competição no mercado diferem daquelas pertencentes a setores com menor competição.
    No artigo Evidenciação da responsabilidade social corporativa no setor agroquímico brasileiro os autores buscam relacionar a divulgação das informações, a preocupação social das empresas em oferecer benefícios a seus funcionários. Com isso, constatam a evidenciação de benefícios compulsórios e não compulsórios, sendo estes utilizados com o cunho de propaganda institucional.

    Em Contabilidade e gestão ambiental são apresentadas as principais características da produção acadêmica brasileira em contabilidade e gestão ambiental registrada em periódicos da área de contabilidade no período de 2001 a 2011, indicando possível mudança de paradigma nas pesquisas em contabilidade no Brasil.

    Relato prático, O planejamento estratégico no setor público aborda as técnicas de planejamento estratégico implementadas pela administração pública municipal em três municípios da zona da Mata mineira.

    Com o foco nas políticas públicas ambientais, o artigo Interfaces da comunicação pública e governamental na divulgação da política nacional dos resíduos sólidos aborda os problemas enfrentados no processo de institucionalização da política nacional dos resíduos sólidos, centrando-se em discussões sobre a comunicação pública e governamental e o ciclo político. Enquanto o artigo Análise do ICMS-ecológico em Minas Gerais pela perspectiva do ciclo político aborda a inserção do critério ambiental entre as transferências de recursos do ICMS em Minas Gerais, constatando que o ICMS-Ecológico iniciou-se com a mobilização dos municípios que destinavam parte do seu território à preservação ambiental, sem, no entanto, receberem repasses financeiros do ICMS por essa atitude.

    Em O efeito vizinhança nos fluxos interestaduais de turismo nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil as autoras buscam verificar se existe influência significativa na troca de fluxos de turismo, em virtude da proximidade entre os estados de origem e destino, entre os estados das regiões Sul e Sudeste. Comprovam a importância da variável distância como forte fator de barreira ao turismo doméstico e reafirmam a ideia indutiva de que a proximidade exerce forte influência entre as trocas de fluxos.

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    Na seção Estudos & Debates seis artigos completam o panorama diversificado desta edição. Tratam de sedução e da persuasão na comunicação rural, de rádio itinerante a serviço da cultura popular, de competências adquiridas por alunos de cursos superiores em tecnologia na região metropolitana de São Paulo, de desempenho tributário e gestão política no índice Firjan de desenvolvimento de municípios mineiros, do Programa de Inovação em Docência da UFV e da inclusão de alunos surdos em uma escola pública mineira.

    Os dois últimos artigos fazem parte de parceria da Revista de Ciências Humanas com o Simpósio de Integração Acadêmica-SIA da UFV, em que a Revista aceita a submissão dos melhores trabalhos indicados pelas comissões de avaliação do Simpósio, cumprindo seus objetivos de divulgação científica e de incentivar práticas acadêmico-científicas, mais além de rankings e pontuações em que se perdem publicações que não miram seus leitores.

    Completam a edição a resenha O fim do capitalismo e a seção Resumos de Dissertações.

    Boa leitura.

     

    Os editores:

    Gislaine Aparecida Santana Sediyama (UFV)

  • Uma década de ações afirmativas no ensino superior
    n. 2 (2012)

    A questão do negro no Brasil sempre foi escamoteada, para negar ou ocultar a existência de racismo. Mas basta dar uma olhada, ainda que superficial, na estrutura da sociedade, para se constatar que há uma disparidade entre a porcentagem de negros, pardos e indígenas que compõem a nação brasileira e sua inserção em cargos, sua remuneração em comparação com os brancos, sua participação na população universitária. Antes das cotas, os negros representavam 2% dos universitários, apesar de serem mais de 45% dos brasileiros; agora já chegam a 10%. É um grupo, imenso grupo, desfavorecido economicamente e com poucas possibilidades, dada sua trajetória histórica, de remontar essa situação desvantajosa no curto prazo. Essa disparidade é a cara do racismo.

    O sistema de cotas vem tentar remediar a situação no imediato. A iniciativa começa a amadurecer a partir de 2000, na esteira de políticas afirmativas implantadas nos Estados Unidos já na década de 1960 do século passado. Em essência visa a garantir a entrada de negros, pardos e indígenas nas instituições públicas de ensino superior, como ação afirmativa e compensatória. A Universidade do Estado da Bahia foi a primeira, em 2003, a usar alguma modalidade de cota pra o ingresso. As outras pioneiras foram as Universidades do Estado do Rio de Janeiro e a Estadual do Norte Fluminense, em 2004, a partir de lei estadual promulgada em 2001. A Universidade de Brasília foi a primeira federal a experimentar o sistema também em 2004.

    Entretanto, a questão não tem sido simples em sua discussão e implementação, por falta de consenso em torno da temática. De imediato se formaram grupos favoráveis e grupos contrários, com argumentações válidas de ambos os lados.

    Os favoráveis basicamente argumentam que há um déficit histórico desses grupos, principalmente dos negros, e o sistema de cotas pode encurtar o caminho para as compensações necessárias aos que, geração após geração, têm sido injustiçados socialmente.

    Os contrários afirmam que o sistema afiança o racismo e é uma discriminação, ao privilegiar um grupo, com um tratamento jurídico diverso, para seu ingresso na universidade. Inclusive gera discriminação invertida, quando se presumiria que determinado profissional alcançou o posto não por seus méritos, mas pela cor da pele, além da discriminação dos que perderiam vagas para os cotistas.

    Baseados no artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que preconiza a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, os que têm posição contrária argumentam que o sistema de cotas raciais é injusto e discriminador. Entretanto, esta mesma Constituição dispõe sobre reserva de vagas para deficientes físicos, o que daria substancialidade também jurídica para o sistema de cotas, que seria uma materialidade do princípio de igualdade, em face do contexto histórico.

    No aspecto jurídico da questão, contudo, a dificuldade já foi vencida com o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, em abril de 2012, pela constitucionalidade da adoção de políticas de reserva de vagas para garantir o acesso de negros e índios a instituições de ensino superior em todo o país.

    O presente dossiê discute e analisa essas questões relacionadas com a ação afimativa nas universidades, estaduais e federais, historiando sua implantação nas universidades pioneiras. Aponta também os desafios para essa implantação plena.

    Há artigos, entretanto, que problematizam o estabelecimento da ação afirmativa nas universidades, observando que o governo desvia a atenção da negligência com a educação básica para a desigualdade no acesso à educação superior e que se poderia entender as políticas de cotas como uma estratégia política de reforma educacional. A implementação da política de cotas seria também mais uma estratégia para passivizar a luta da classe trabalhadora pela ampliação de direitos sociais. A educação superior seria utilizada como o meio mais fácil de ascensão social daqueles que, historicamente, não conseguem o acesso à universidade.

    O dossiê apresenta também a chamada Carta do Rio, documento construído no Seminário 10 anos de Ações Afirmativas: Conquistas e Desafios, realizado nos dias 21 e 22 de novembro de 2012 na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em que se propugna por celebrar, consolidar e ampliar as políticas de ação afirmativa.

    Boa leitura.

     

    Os editores:

    Adilson Pereira dos Santos (UFOP)

     

  • Sobre jornalismo: formação, teoria e prática
    n. 1 (2012)

    O dossiê da presente edição deriva, em parte, do Encontro Mineiro de Professores de Jornalismo, que, com o tema “A formação superior como elemento constitutivo e legitimador do campo do jornalismo”, foi realizado na Universidade Federal de Viçosa em abril de 2011. Algumas das temáticas discutidas no evento se refletem aqui. Basicamente é uma aproximação, mais uma, ao campo da comunicação e do jornalismo, como enfocados, teorizados e praticados em cursos de comunicação e jornalismo. A teoria e a prática que embasam a formação de jornalistas, num tempo em que ainda persiste uma deslocada discussão – quando não pura e simples impugnação – sobre a exigência de diploma de formação superior para o exercício da profissão de jornalista.

    O evento e depois os textos aqui reproduzidos foram organizados e gestados no interregno entre a decisão do Supremo Tribunal Federal, em 2009, de cassar a obrigatoriedade do diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista e novo projeto de lei que, já aprovado no Senado este ano, retoma a exigência do diploma de curso superior de jornalismo. Nesse tempo, e desde sempre, infinidades de posicionamentos se esgrimiram para um e outro lado, refletidos entre os jornalistas em duas linhas sintetizadas por José Marques de Melo em texto nesta edição: os endógenos (diplomados em jornalismo), “mais alinhados com as lideranças sindicais”, e os exógenos (formados em outras disciplinas), “geralmente simpatizantes das demandas ocupacionais dos empresários”.

    Contudo, essa discussão não está aprofundada aqui, nem era esse o objetivo. Só há a constatação de que os cursos de comunicação e jornalismo estiveram e estão voltados para seus desafios na formação na área, que a simples discussão do diploma escamoteia. Como aponta um dos textos desse dossiê, “Polêmicas, discussões, avanços e tendências na trajetória dos cursos de comunicação no Brasil”, de Joaquim Sucena Lannes, “alheios a todo esse emaranhado de opiniões e a polêmica sentença do STF, atualmente 70 mil estudantes ainda permanecem matriculados em 370 cursos de jornalismo em todo o país”.

    Este texto citado, que faz eco a essa polêmica, vai mais além, levantando aspectos significativos da trajetória do ensino do jornalismo no Brasil. Integrando o dossiê, há também reflexão sobre os caminhos a percorrer para a construção científica no campo da comunicação; proposta de levar estudos do letramento para a produção textual de gêneros informativos; o conceituado como jornalismo cívico para a prática jornalística inserida em temas sociais e políticos; a disparidade comunicativa entre professores e alunos de comunicação social; e os desafios da implantação de estágio acadêmico em cursos de jornalismo, em que se conta a experiência da Universidade Federal de Uberlândia.

    Os relatos de práticas abordam principalmente o jornal impresso, que, viabilizando o exercício dos gêneros informativos e área correlatas e propiciatórias (planejamento gráfico, fotografia, etc), ainda é a grande escola para a formação no campo do jornalismo.

    A destacar o texto de José Marques de Melo, “Jornalismo, jornalistas: quem tem medo de crise?”, que teve um sentido instigador e desafiante ao ser lido na abertura do Encontro de Viçosa, já que o mestre não pôde estar presente.

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    Esta edição da Revista de Ciências Humanas se completa com duas resenhas, resumos de dissertações e sete artigos na seção Estudos & Debates, marcando a diversidade de sempre em nossa revista multidisciplinar, com textos que se perfilam no campo da administração, da geografia, da história, da educação, da filosofia e das ciências sociais.

     

    Boa leitura.

     

    Os editores:

    Joaquim Sucena de Lannes (UFV)

  • Cultura religiosa em Minas Gerais
    n. 2 (2011)

    Nos seus dez anos, a Revista de Ciências Humanas publicou 213 artigos, de 240 autores, numa trajetória de seriedade, dedicação e qualidade, em prol dos objetivos almejados desde seu primeiro número: “ser um ponto de encontro de diferentes segmentos da comunidade acadêmica nacional da área”. Sem perder de vista, contudo, que a publicação é gerida e editada pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal de Viçosa, devendo-se a seus cursos de graduação e a seus programas de pós-graduação, no universo e especificidades das ciências sociais e humanas; não que tenha permanecido no chamado nível endógeno, mas esse é o locus e razão de ser da revista.

    Entretanto, os tempos recentes têm levado a considerar as revistas técnico-científicas e acadêmicas em sentido meramente quantitativo, para responder a rankings e qualificações, pouco importando conteúdos e finalidades. Rankings e indicadores bibliométricos que, de algum modo, empobrecem a vida acadêmica, envolvendo-a num fetichismo quantitativo, como subproduto da dimensão mercadológica que o sistema tem adquirido. A isso se acresce o espírito, muitas vezes importado acriticamente, do publish or perish, que pode ser interpretado, mais em consonância com a época, como aparecer ou perecer.

    Não se pode esperar que as revistas publicadas no país se canalizem no caminho único de guiar-se, e serem avaliadas, por critérios de agentes que não dão conta de todo o processo e fenômeno editorial, e tampouco científico; que buscam, antes de mais nada, ocupar nichos para consolidarem sua visão, procedimentos e posicionamentos; em resumo, sua política. O mundo editorial das revistas não responde unicamente a necessidades de indicadores, classificações e rankings.

    Para as revistas, essa pressão por publicar, de apresentar resultados quantitativos, pode ser o melhor dos mundos, porque ganham ascendência e poder decisório. Contudo, isso acontece ao custo de distorções no mundo acadêmico e científico, como reclama Lindsay Waters em Inimigos da esperança: publicar, perecer e o eclipse da erudição, que trata da realidade norte-americana, em que descreve a tendência a se considerar a produção editorial universitária apenas pelo aspecto quantitativo e em que a academia começa a delegar às publicações peso exorbitante na decisão de quem ascende e ganha estabilidade nas carreiras universitárias. O autor, editor da Harvard University Press, faz um alerta principalmente para o campo das humanidades: “Quando os livros deixam de ser meios complexos e se tornam, em vez disso, objetos sobre os quais quantificamos, então se segue que todos os outros assuntos que as humanidades estudam perdem seu valor. E, se os estudiosos de humanidades não tiverem uma clara noção do que lhes diz respeito, ninguém mais vai ter”. Lindsay se refere principalmente aos livros, mas a situação das revistas se encaixa também em suas análises e alertas, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil atual.

    Tocamos nessas questões não para justificar insuficiências, mas fazendo eco, e alerta, de uma discussão que tem se disseminado no meio acadêmico e científico, com as insatisfações a que os desvirtuamentos estão levando. Há todo um processo arraigado e sedimentado de certificação do conhecimento científico que não pode ser desconsiderado. Mas os atalhos puramente quantitivistas não fazem parte dessa história.

    A nascente preocupação com a situação da produção do conhecimento cultural e científico, em sua interface essencial com a comunicação científica, deve ser entendida no contexto desses novos tempos, num contraponto necessário ao pensamento único que também tem penetrado nas academias – para que não se embarque na corrida desvairada do aparecer ou perecer.

    No que toca à Revista de Ciências Humanas, o desafio é seguir o caminho traçado, aperfeiçoando-se e contribuindo cada vez mais para a produção acadêmica e científica, levando-se em conta as especificidades apontadas.

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    Nesta edição, um nutrido dossiê trata da cultura religiosa em Minas Gerais, com um enfoque essencialmente histórico, apresentando conceituações teóricas contextuais e expressões dessa cultura e religiosidade. E na seção “Estudos & Debates”, seis artigos completam a diversidade temática que tem caracterizado nossa revista.

    Boa leitura.

    Os editores:

    Karla Denise Martins, Gustavo de Souza Oliveira


  • Desenvolvimento Econômico
    n. 1 (2011)

    Com esta edição, a Revista de Ciências Humanas completa dez anos de existência. Foi criada como publicação semestral no final da gestão do professor Adriel Rodrigues de Oliveira — também seu primeiro editor — à frente do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal de Viçosa. O primeiro número correspondeu ao primeiro semestre de 2001, e em sua apresentação, na “Carta do editor”, indicava que era a concretude de um desejo antigo da comunidade acadêmica da área de humanas e que representava, de certa forma, a culminação do processo de consolidação da área na UFV. Já o segundo número da Revista contou com a professora Rosa Fontes como editora e também como nova diretora do CCH, e na “Carta da editora” também havia referência à consolidação da área de humanas da UFV e se reiterava que o periódico não era um espaço restrito à produção acadêmica e científica da UFV, promessa que de fato veio cumprindo nesses 10 anos.

    Agora nos toca constatar que, por sua vez, a Revista se consolida no que se destinou a ser e, pouco a pouco, vem ocupando o espaço necessário na publicação de artigos técnico-científicos e acadêmicos na área das ciências sociais e humanas, adquirindo abrangência nacional.

    Até a edição do volume 4, número 2, eram publicados artigos de temáticas diversas, em um formato grande. A partir da edição seguinte, com a troca de editor, que passou a ser o professor Walmer Faroni, que assumia como diretor do CCH, houve algumas mudanças e novidades. A Revista passou a circular como número temático, em formato menor, tradicional em publicações acadêmicas, e com renovada apresentação gráfico-editorial. Também passou a contar com a atuação de um editor adjunto, função assumida pela professora Rosimar de Fátima Oliveira — até a edição do volume 8, número 2, com o dossiê “Políticas públicas” —, que muito contribuiu para que a Revista de Ciências Humanaslevantasse voo definitivamente.

    Hoje, em sua diversidade, além da publicação de dossiê, traz também a seção “Estudos & Debates”, destinada a artigos diversos e que são recebidos em fluxo contínuo, publica resenhas e os resumos de teses e dissertações dos programas de pós-graduação do CCH. Desde 2008, em sua versão on-line, disponibiliza todo o seu conteúdo e tem facilitado o contato com autores e leitores.

    Como editores atuais da publicação, sentimos grande satisfação com sua trajetória e queremos agradecer a todos que, de uma ou outra maneira, contribuíram para sua continuidade e consolidação, como seus primeiros editores, os integrantes do Conselho Editorial e, principalmente, os autores colaboradores, que, de diversas instituições e regiões do país, têm submetido seus artigos para publicação.

    São dez anos na trilha da ciência, cultura, conhecimento e de sua divulgação.

    Já no dossiê desta edição, a Revista traz desta vez a temática do desenvolvimento econômico, centrando-se principalmente no estado de Minas Gerais e região Sudeste. Os artigos abordam a heterogeneidade do desenvolvimento econômico de Minas, impactos do setor da construção civil sobre o emprego no Brasil, influência de períodos eleitorais nos gastos públicos dos municípios mineiros, educação e seus efeitos sobre a saúde pública na região Sudeste, cooperativas e desenvolvimento de comunidades, a dinamização dos assentamentos rurais para o desenvolvimento econômico do Noroeste de Minas e, por fim, trata das interações entre a Universidade Federal de Viçosa e empresas do Brasil.

    Na seção “Estudos & Debates”, apresenta artigos que têm caracterizado sua diversidade de enfoques e tratamento do campo do conhecimento e da ciência. Trata da crise contemporânea em sua geograficidade, coteja as estratégias argumentativas dos discursos de Vargas e Lula, lança um olhar ético e moral sobre as ações extensionistas, aborda o trabalho como princípio educativo na educação profissional, faz uma reflexão crítica sobre alguns campos da disciplina História, discute a ficção e a não-ficção em A via crucis do corpo de Clarice Lispector e conta a experiência do ensino e aprendizagem do francês na reconstrução de identidade de asilados na França.

    Depois, vêm duas resenhas e os resumos das dissertações de mestrado. Como na edição anterior apresentamos resumos das primeiras dissertações defendidas no Mestrado em Letras da UFV, desta vez a Revista traz resumos das primeiras defesas do Mestrado em Educação.

    Boa leitura.

     

    Os editores:

    Giovana Figueiredo Rossi

     

  • Ciências Sociais e vida pública
    n. 2 (2010)


    Os artigos que compõem o dossiê Ciências Sociais e vida pública foram derivados de papers apresentados na I Semana Acadêmica de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa, realizada em setembro de 2010. Assim, respondendo aos objetivos do evento, tratam concretamente de algumas das preocupações e discussões que as ciências sociais enfrentam na atualidade brasileira.

    O primeiro artigo, Tempos da Casa Grande: as primeiras críticas à obra inaugural de Gilberto Freyre, de Helga Gahyva trata de um dos clássicos brasileiros da área, em que se discute o debate que a obra motivou em seu tempo, buscando contrastá-las com enfoques posteriores.

    Em Sociologia pública e o Brasil: apontamentos para um debate Fernando Perlatto faz análise do processo de institucionalização da sociologia no Brasil, segundo a ideia de “sociologia pública” do sociólogo norte-americano Michael Burawoy, em que chega à conclusão de que nas últimas décadas tem havido um enfraquecimento da tradição de uma sociologia crítica e pública, nos termos de Burawoy. Para Perlatto esses processos tendem a conduzir a sociologia a se tornar uma disciplina predominantemente profissional e de políticas públicas.

    Daniela Alves de Alves, em Sociedade e política na rede sociotécnica, tece reflexões sobre as implicações da vertente teórica Science and Tecnology Studies (STS) para uma perspectiva de sociedade, enfocando a corrente denominada Actor Network Theory (ANT). A ANT apresentaria visão inovadora de sociedade e de política. Há também no artigo uma problematização das implicações sócio-políticas desta abordagem em relação à democracia.

    Em Crítica à democracia liberal no imaginário social brasileiro, Diogo Tourino de Souza, partindo de estudo do pensamento político brasileiro, faz uma análise crítica da democracia liberal na singularidade do caso brasileiro.

    Através das representações sociais e da sociologia, Rodrigo Ednilson de Jesus discute o papel da educação no processo de construção da sociedade brasileira, no artigo A sociedade brasileira em (dês)construção: educação, representações sociais e o papel da Sociologia. Para tanto, utiliza os posicionamentos de cientistas sociais sobre as políticas de ações afirmativas no ensino superior para ilustrar as representações sociais sobre a educação e os sujeitos da educação brasileira.

    Afirmando a centralidade de uma idéia de autoridade na teoria política contemporânea, Raul Francisco Magalhães em Reflexões sobre o conceito de autoridade rastreia e discute alguns aspectos da palavra e do conceito de autoridade, para se referir também a conceitos que se relacionam no âmbito da teoria política, como ordem/corrupção, liberdade e moralidade.

    Em Corrupção, cultura política e reformas no Brasil, Fernando Filgueiras, Ana Maria Montandon, Bárbara Magalhães Aguiar de Oliveira e Ivna Mascarenhas Abreu investigam a relação entre corrupção e democracia, baseados em pesquisas realizadas pelo Centro de Referência do Interesse Público da Universidade Federal de Minas Gerais. No artigo, chegam à conclusão de que uma visão culturalista pode encobrir avanços na dimensão do controle e também constatam que um tratamento fatalista pouco contribui para o aprimoramento da democracia.

    Douglas Mansur da Silva, em Exílio, ciência e política: o Movimento Matemático português e os sentidos do trabalho intelectual, trata de temas caros à área social e da atividade intelectual, como da fuga de cérebros e as perseguições políticas que regimes fechados realizam contra não só quem pensa diferente, mas quem pensa. No caso, analisa trajetórias, obras e discursos de cientistas que integraram o chamado Movimento Matemático português e que estiveram radicados no Brasil por algum tempo, fugindo da ditadura salazarista.

    Encerra o dossiê o artigo Ciências Sociais: tendências e desafios de um programa de graduação de Vera Lúcia Travençolo Muniz e Nádia Dutra de Souza em que se dá uma visão do nascente curso de Ciências Sociais na Universidade Federal de Viçosa, suas razões, motivações e os desafios futuros. Discutem o contexto de sua criação, tanto localmente, com as idiossincrasias da UFV, quanto no campo amplo da teoria e metodologia das ciências sociais.

    O dossiê dá uma ideia do campo das ciências sociais no Brasil de hoje, com algumas das discussões e preocupações, e até correntes de pensamento, em sua interface com a vida pública, sem se propor ser exaustivo.

    Na seção “Estudos & Debates”, seis artigos completam a edição, com mais variedade nas temáticas. E nos Resumos são apresentadas as duas primeiras dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFV.

    Boa leitura.

     

    Os editores:

    Diogo Tourino Souza, Daniela Alves de Alves


  • Clima nas cidades
    n. 1 (2010)

    Nos últimos tempos o clima cada vez mais ocupa espaço nas preocupações, discussões e estudos, na medida em que o avanço civilizatório esquece de determinados cuidados com o meio ambiente, e a natureza se manifesta, com suas regulações corretoras, quando ainda há jeito, ou, no limite, desregramentos, quando lhe são perpetrados desvios ou transformações perigosas.

    Cientistas, estudiosos e dirigentes políticos se debruçam sobre a problemática do clima, do meio ambiente e suas conseqüências, buscando saídas. A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, conhecida como Conferência de Estocolmo, realizada em 1972, é um dos marcos da centralidade que essas discussões e a tomada de consciência ocupam no panorama mundial das preocupações com a vida no planeta. Outro marco foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, mais conhecida como Eco 92, com mais sistematicidade nas discussões, propostas e empreendimentos na área climática e de meio ambiente, mas sempre com muitos impasses. O mesmo ocorreu com a Conferência do Clima de Copenhage no final de 2009, um fiasco diplomático, que não chegou a resoluções concretas. E para este ano está prevista a realização em dezembro, em Cancún, México, da Conferência do Clima da ONU; as expectativas também não são muito boas. No melhor dos casos, as conversações e possíveis acordos servirão de plataforma para um pacto global sobre o clima a partir de 2012.

    Urge alinhavar algumas propostas e acordos antes que expire o Protocolo de Quioto neste mesmo ano de 2012, já que este instrumento legal não tem conseguido sua grande meta de adesão e compromisso dos países, principalmente dos grandes poluidores, com a redução dos gases que agravam o efeito estufa.

    Lembrando que no Brasil nestes dias se discute também um Código Florestal, que, como foi aprovado em primeira instância no Congresso, com suas flexibilizações da lei contribui igualmente para a deterioração do meio ambiente, com implicações no clima, entre outras consequências.

    O certo é que as calamidades climáticas têm demonstrado a urgência de acordos, regulações e mudança de atitudes. Alguma coisa tem que ser feita, enquanto é tempo. Caso contrário, cada vez mais enchentes, secas, aquecimento global, efeito estufa estarão na ordem do dia. Com consequências como está publicado em estudo recente no Boletim Regional, Urbano e Ambiental do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que prevê uma mudança do clima para as próximas décadas, que deve se refletir na economia do Brasil, com possibilidade de redução do PIB entre 0,5% e 2,3% no ano de 2050.

    O dossiê “Clima nas cidades” traz um pouco dessa discussão e preocupação, apresentando trabalhos que levantam a situação de variação climática e suas implicações em cidades perto de nós, por meio de trabalhos de campo e levantamento de teorias. Mas já no primeiro artigo, “Variações da temperatura do ar e o papel das áreas verdes nas pesquisas de climatologia urbana”, Carlos Henrique Jardim alerta que as pesquisas na área devem buscar inserir num contexto mais amplo de discussão seu objeto de estudo, observando que questionamentos sobre diferenças de temperatura do ar e o papel das áreas verdes sempre estiveram presentes na vida do pesquisador da área de climatologia urbana, tenha ele se preocupado em responder ou não a estes questionamentos.

    Os trabalhos de campo em Viçosa, Belo Horizonte, Ilha de Governador (RJ) e na cidade do Rio de Janeiro levantaram problemáticas climáticas nas cidades, como os aumentos de temperatura, as poluições e as ilhas de calor. O trabalho sobre Piranga (MG) tratou dos estragos das chuvas de dezembro de 2008 em Minas Gerais, enfocando as consequências na cidade, para compreender os fatores que construíram o cenário de caos naquela cidade e região.

    Edson Soares Fialho, coordenador do dossiê, em “Unidades climáticas urbanas: o caso da Ilha do Governardor-RJ”, dá bem o tom e preocupação dos trabalhos apresentados, ao enfatizar que o conhecimento de caráter geográfico deve ser utilizado como ferramenta do planejamento nas cidades: “Os estudos de clima urbano necessitam buscar compreender as razões das dinâmicas dos elementos do clima sobre o espaço, assim como seus fatores controladores, e o mapa de unidades climáticas nos fornece esta visão espacial e temporal do comportamento, possibilitando qualificar o debate do planejamento urbano por meio de propostas de intervenção urbanística para melhorar a qualidade de vida do cidadão”.

    O dossiê “Clima nas cidades” apresenta uma visão concreta das questões climáticas de nosso tempo.

    Além do dossiê, a Revista de Ciências Humanas apresenta a seção “Estudos & Debates”, com oito artigos diversos e uma resenha de livro recente sobre a elite dirigente do governo Lula.

    Boa leitura.

    Os editores:

     Edson Soares Fialho


  • Comunicação para a cidadania
    n. 2 (2009)

    A comunicação nas sociedades modernas cada vez mais adquire centralidade nas implicações de atuação e interpretações do ser social. Vivemos mais e mais processos de comunicação, refletidos e gerados pelos onipresentes meios de comunicação, potencializados com os recursos técnico-informáticos atuais. Por isso, tem um peso específico, na Revista de Ciências Humanas, abordar algumas das facetas da comunicação de nosso tempo pelo ângulo da cidadania.

    Quando é proposto este olhar da cidadania ao se debruçar sobre a comunicação, essa escolha, por si só, já aponta um rumo, que é crítico desde o ponto de partida; e isso está patente na maioria dos trabalhos apresentados, que partem de casos concretos, de constatações particularizadas, que são colocados em perspectiva.

    Houve tempo em que era moda falar de cidadania — temos até uma proclamada Constituição cidadã! —, discussão que chegou a ser aprisionada nas malhas do status quo em nossa sociedade desigual, que como consolo põe foco em determinados direitos, tratados como concessões de elites e poderosos, principalmente na era neoliberal que parece, pós-crise financeira de 2008, estar com os dias contados. É evidente que esse não é o viés que a Revista de Ciências Humanas busca contemplar com o presente dossiê, cujas discussões e propostas transcendem modismos ou consolo de consciências. Assim esperamos.

    Pensar em termos de cidadania, na perspectiva da comunicação, é , ainda hoje, buscar formas e incentivar práticas que sejam alternativas à comunicação que flui dos grandes meios. Neste caso, falar em cidadania é ainda falar de alternativa, e no campo da comunicação é falar de meios alternativos, de comunicação alternativa. E isso está presente, declaradamente ou não, nos artigos que conformam o dossiê. Nessa abordagem de aspectos e facetas da cidadania na relação com os meios, com os grandes meios, não há dúvida dos rumos dessa reflexão, que sempre vai se contrapor às práticas hegemônicas desses meios.

    Basta um passar de olhos pelos títulos dos artigos para se ter uma idéia dos enfoques e das discussões aqui propostos. Falamos de produtos e práticas concretas, como do caso do jornal-laboratório e da rádio comunitária, exercitados no curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa; falamos de religião e política, com o caminhar pelas vias da comunicação, para chegar concretamente às maiorias, com um discurso adequado; tocamos em aspectos éticos e de identidade, no espetáculo político; discutimos as identidades marginalizadas no telejornalismo; e vemos a comunicação na educação cooperativista. E, como não podia deixar de ser, a internet está presente nesta discussão, na perspectiva de outra comunicação e no trato de questões concretas que são colocadas pelas vivências da grande rede, nas possibilidades do governo eletrônico, nos usos que lhe dá uma juventude conectada e nas experiências dos movimentos sociais.

    São exercícios de reflexão e análise de vários aspectos da comunicação e dos meios, de realidades e potencialidades nessa nossa debordiana sociedade do espetáculo.

    Esta edição, contudo, não se esgota com a discussão da cidadania e comunicação. A partir de agora a Revista de Ciências Humanas trará, além dos artigos do dossiê, a seção “Estudos & Debates”, com outros artigos diversos. E nesta edição estão artigos que vão do aprendizado de língua estrangeira, de leitura do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, da necessidade da política, que discute Maquiavel, da análise e discussão da legislação que pode permitir a adoção por casais homossexuais, tratando do terceiro setor e chegando ao relato de uma pesquisa sobre alimentação e qualidade de vida em Viçosa.

    Com isso, implementamos uma maior diversidade nas temáticas tratadas em cada edição. Há, assim, mais opções de leitura, com uma interlocução maior com o universo das ciências humanas e sociais.

    E é com essa diversidade que a próxima edição trará o dossiê “Clima nas cidades”.

    Boa leitura.

     

    Os editores:

    Joaquim Sucena Lannes

     

  • Espaço e memória
    n. 1 (2009)

    Este número da Revista de Ciências Humanas apresenta o dossiê Espaço e memória, uma confluência enriquecedora de artigos das áreas de Geografia e História. Discute temas variados dos dois campos de conhecimento: como se dão processos de modernização territorial e como a análise regional é adequada para a compreensão desses processos; uma reflexão sobre a conformação espacial sob o capitalismo, para vislumbrar uma nova e mais desejável condição socioespacial; levantamentos sobre a Amazônia como região de planejamento, em processos realizados no século XX; a Geografia física no IBGE de 1938-1998, em análise histórica desse segmento da pesquisa geográfica; um novo olhar sobre a cidade na construção do atlas escolar histórico e geográfico de Viçosa, um mapa digital e sua função no processo ensino-aprendizagem; mapeamento por fotointerpretação para o diagnóstico do uso do solo urbano em três bairros da cidade de Rio Branco, Acre; a história na sala de aula, que aponta a necessidade de uma aproximação entre pesquisa histórica e ensino de História; a relação entre a Estrada de Ferro Leopoldina e o café na região Sul da Zona da Mata mineira; como relatos do Século XVI permitem perceber a alimentação dos nativos da América e também as demandas alimentares dos europeus; os silêncios da História sobre o reformador Thomas Müntzer, um dos personagens centrais da Reforma Protestante na Alemanha; o ensino religioso no Brasil e o processo de cristianização, através de ações educativas de ordens religiosas, como a Companhia de Jesus.

    Aspectos teóricos dessas áreas de conhecimento são debatidos, e estudados casos particularizados dos seus aportes. O espaço está marcado e delimitado no território e na região, e até nas imbricações com a globalização hodierna, nos olhares atentos dos geógrafos e seus estudos. A memória, espaço privilegiado da História, permeia os estudos e as pesquisas apresentados, sempre de fundo, ainda que não nomeada. Os historiadores mapeiam a memória do homem fincado nos seus espaços. Para esses olhares geográficos e históricos, colaboram com essa edição estudiosos e pesquisadores de diversas instituições.

    Revista de Ciências Humanas agradece e reconhece a dedicação e colaboração dos professores Angelo Adriano Faria de Assis e André Luiz Lopes de Faria, dos departamentos de História e de Geografia da Universidade Federal de Viçosa, respectivamente, que coordenaram a elaboração deste dossiê, ajudando na captação dos artigos. Fazemos eco às suas palavras, ao apresentarem a temática em questão, quando se referem à necessidade de aproximação entre as ciências humanas: “As interações entre os diversos campos da ciência, sempre bem-vindas, é que tornam a sua teia mais imbricada, ao mesmo tempo que mais resistente”. Nossa revista segue esse caminho, estimulando essas interações.

    Na seção Resenhas, Roberta Guimarães Franco apresenta as várias tintas da escrita de Mário Cláudio levantadas por Dalva Calvão em Narrativas biográficas e outras artes. Reflexões sobre a escrita literária e criação estética na Trilogia da mão, de Mário Cláudio, publicação da Editora da Universidade Federal Fluminense. Já Angelo Adriano Faria de Assis ainda se desdobra em contribuir com um olhar sobre o livro de Maria de Deus Beites Manso Os jesuítas na Índia (1542-1622): Actividades Religiosas, Poderes e Contactos Culturais, editado em Macau.

    Agradecimento especial a Revista e o Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, que a edita, expressam à professora Rosimar de Fátima Oliveira, que foi sua editora adjunta nos últimos três anos. Rosimar foi quem implantou novidades editoriais na revista que a elevaram a outro patamar, além de ter praticamente atualizado suas edições, tarefa que estamos determinados a completar. Desejamos-lhe mais sucesso ainda na nova etapa de sua trajetória profissional e acadêmica na Universidade Federal de Minas Gerais.

    Finalizando, adiantamos que o próximo dossiê versará sobre comunicação para a cidadania.

    Boa leitura.

    Elson Rezende de Mello

    Walmer Faroni

     

    Os editores:

    Angelo Adriano Faria de Assis, André Luiz Lopes de Faria

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