Fórmulas para o público infantil: a promoção comercial nas rotulagens de fórmulas infantis e sua adequação com a legislação vigente

  • Viviane Regina Santos Abrantes Escola da Saúde e do Desporto/ Centro Universitário da Cidade - Univercidade
  • Katia Cilene Tabai Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ.

Resumo

Resumo

O estudo objetivou investigar a promoção comercial na rotulagem de fórmulas infantis conforme a legislação vigente, tomando como amostra 25 produtos: fórmulas infantis (n=7), fórmulas infantis de seguimento (n=4), fórmulas infantis à base de soja (n=5), fórmula infantil à base de soja de seguimento (n=1); fórmula infantil sem lactose (n=1), fórmulas infantis hipoalergênicas (n=4), fórmula infantil espessada (n=1), fórmula infantil com prebiótico (n=1), fórmula infantil acidificada (n=1). A figura de mamadeira nas instruções e advertências sobre o preparo produto foi verificada em 92,0% da amostra. Informações que podem induzir ao uso dos produtos em virtude de falso conceito de vantagem ou segurança, e colocar em dúvida a capacidade das mães de amamentarem seus filhos estiveram presentes em 72,0% dos rótulos. As legislações de proteção ao aleitamento materno evoluíram, mas medidas de fiscalização mais intensas devem ser aplicadas para melhorar a rotulagem destes alimentos e promover a qualidade da alimentação infantil.

Palavras-chave: rotulagem, fórmulas infantis, promoção comercial.

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Biografia do Autor

Viviane Regina Santos Abrantes, Escola da Saúde e do Desporto/ Centro Universitário da Cidade - Univercidade

Nutrição

Katia Cilene Tabai, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ.

Departamento de Economia Doméstica e Hotelaria

Área de Alimentos e Nutrição

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Publicado
2013-06-12
Como Citar
Abrantes, V. R. S., & Tabai, K. C. (2013). Fórmulas para o público infantil: a promoção comercial nas rotulagens de fórmulas infantis e sua adequação com a legislação vigente. Oikos: Família E Sociedade Em Debate, 24(2), 021-037. Recuperado de https://periodicos.ufv.br/oikos/article/view/3663
Seção
Artigos