Uso cotidiano de produtos no âmbito doméstico: interface empresa e economia familiar

  • Amélia Carla Sobrinho Bifano Universidade Federal de Viçosa

Resumo

A proposta do artigo é apresentar uma abordagem teórica para o estudo de produtos eletrodomésticos e sua utilização cotidiana pelas pessoas. Entende-se economia familiar como área de conhecimento que deve se preocupar com a satisfação dos sujeitos na aquisição, na alocação adequada de recursos, e no uso de produtos em seu cotidiano, a partir das avaliações em termos de segurança e êxito na utilização, atualmente demandadas pelas empresas e organismos governamentais e não governamentais. As primeiras buscam ciar vantagem competitiva; as segundas, resguardar os direitos do consumidor em suas relações de consumo. Um conjunto de conhecimentos foi construído e sistematizado respondendo às questões: como se dá a prática das pessoas e suas ações instrumentalizadas pelos produtos, quais processos individuais estão a ela relacionados e como se constituem. A ideia é disponibilizar um instrumental de base para pesquisas e prática, bem como mostrar a interface da economia familiar com as empresas/instituições.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Amélia Carla Sobrinho Bifano, Universidade Federal de Viçosa

Professora do Departamento de Economia Doméstica, área de Economia Familiar. UFV

Bacharela e Licenciada em Economia Doméstica, 1986, UFV; M.S. Engenharia de Produção/Ergonomia e Organização do Trabalho, 1999, UFMG; D.S. Engenharia de Produção, 2007, USP.

Referências

ABBAGNANO, Nicola. História da filosofia – Volume XII. Lisboa: Editorial Presença. 1ª edição em português 1985. Lisboa: Editorial Presença Ltda., 2000. v. 12.

ABRANCHES, S. H. H. Sócio dinâmica aplicada. Ruptura e adaptação: o novo paradigma produtivo e a formulação de políticas públicas para a economia brasileira. Versão final do trabalho apresentado no X Fórum Nacional; Rio de Janeiro, maio de 1998. www.bndes.gov.br

BÉGUIN, P.; RABARDEL, P. Designing for instrument – Mediated activity. Scandinavian Journal of Information Systems, n. 12, p. 173 -190, 2000.

BIFANO, Amelia C.S. Estudo da prática situada – Uma contribuição metodológica para avaliação e concepção de produtos. Belo Horizonte: UFMG, 1999. 180 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

BIFANO, Amélia C. S. Concepção e avaliação de interfaces – Uma proposta metodológica. In: ABERGO 2002. Anais... [S.l.]: Associação Brasileira de Ergonomia, 2002.

BIFANO, Amélia C. S.; SZNELWAR, Laerte I. Estudo introdutório da utilização dos conceitos de conhecimento e linguagem enquanto construções sociais na concepção ergonômica das interfaces. In: BERGO 2004. Anais... [S.l.]: Associação Brasileira de Ergonomia, 2004.

BOESCH, Ernest E. L’action symbolic: fondements de psychologie culturelle. Paris: Editions L’Harmattan, 1995

BOXER, Lionel J. Positioning theory was influenced by Foucault. List information page. 2006. Disponível em: .
CHABAUD-RYCHTER, D. Inovação industrial em eletrodomésticos: concepção de uso e concepção de produção. Revista Latino-americana de Estudios del Trabajo, v. 4, n. 7, p. 55-76, 1998.

CLOT, Yves. Avec Vygotsky. Paris, La dispute, 1999.

COULON, A. Etnometodologia e educação. Petrópolis: Vozes 1995.

CRUZ, M B. da. Teorias sociológicas: os fundadores e os clássicos. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. 1v. (antologia de textos).
DAVIES, Bronwyn; HARRÉ, Rom. Positioning: the discursive production of selves. [S.l.], 1999.

DOSSE, François, História do estruturalismo. Campinas, SP: Ed. UNICAMP, 2004

DREYFUS, Hubert l. e RABINOW, Paul. Michel Foucault: Uma Trajetória Filosófica (para além do estruturalismo e da hermenêutica). Rio de Janeiro : Forense Universitária

DUCROT, Oswald. La preuve et le dire. Paris : Maison Mâme, 1973.

FERREIRA, Mario C. Atividade, categoria central na conceituação de trabalho em ergonomia. Alethéia, Canoas, RS, v. 1, n. 11, p. 71-82, 2000.

FLAHAULT, François. La parole intermédiaire. Paris: Seuil, 1978.

FOUCAULT, Michel. L’archéologie du savoir. Paris: Gallimard, 1969.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Trad. por Luiz Felipe Baeta Neves. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002.

GIDDENS, Anthony. A constituição da sociedade. 2. ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.

GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Trad. por Maria Celia Santos Raposo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1975.

HARRÉ, Rom. The rediscovery of the human mind: the discursive approach. Asian Journal of Social Psychology, v. 2, p. 43-62, 1999.

HARRÉ, Hom; GILLETT, Grant. A mente discursiva: os avanços na ciência cognitiva. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

HOFFMAN, L. Uma postura reflexiva para la terapia familiar. In: MCNAMEE, S. e GERGEN, K.J. (eds). La terapia como construcción social. Barcelona: Paidós, 1992, p. 25-44.

LAVE, J. Cognition in practice: mind, mathematics and culture in everyday life. New work: Cambridge University Press, 1991.

LAVE, J., WENGER, E. Situated learning: legitimate peripheral participation. New York: Cambridge University Press, 1993.

LIMA, F. P. A. Fundamentos teóricos da metodologia e prática de análise ergonômica do trabalho ( A.E.T.). Belo Horizonte: UFMG, março, 1996.

LIMA, F. P. A., SILVA, C. A. D. A objetivação do saber prático na concepção de sistemas especialistas: das regras formais às situações de ação. In: DUARTE, F. (Org.). Ergonomia e projetos na indústria de processos contínuos. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.

LUBERDA, James. Unassuming positions: middlemarch, its critics, and positioning theory. 2002. Disponível em: .

MAGGI, Bruno. La régulation du processus d’action de travail. In: CAZAMIAN, Pierre; HUBAULT, Françoise; NOULIN, Dominique (Dirs.). Traité d’ergonomie. Paris: Octares, 1996.

MAGGI, Bruno. Do agir organizacional: um ponto de vista sobre o trabalho, o bem estar, a aprendizagem. Trad. por Giliane M.J.; Ingrata/Marcos Maffiei, coordenador da tradução Laerte Idal Sznelwar. São Paulo: Edgard Blucher, 2006.

RABARDEL, Pierre. Les hommes e les technologies: approche cognitive des instruments contemporains. Paris: Armand Colin Ed., 1995.

RABARDEL, Pierre. Le langage comme instrument, éléments pour une théorie instrumentale élargie. In: CLOT, Y. (Ed.). Avec Vygotsky. Paris: La Dispute, 1999. p. 241-265.

RATNER, C. Traços gerais da psicologia humana. In:–––. A psicologia sócio-histórica de Vigotski: aplicações contemporâneas. Porto Alegre: Ed Artes Médicas, 1995.

ROSA, E.Z.; ANDRIANNI, A. G. P. Psicologia sócio-histórica: uma tentativa de sistematização epistemológica e metodológica. In: KAHHALE, E. M. P. (Org.). A diversidade da psicologia: uma construção teórica. São Paulo: Cores, 2002.

SARDAS, Jean-Claude. Relation de partenariat et recomposition des métiers. In: FRANÇOIS, Hubaut (Coord.). La relation de service, opportunités et questions nouvelles pour l’ergonomie. Paris: Octarès Editions, 2001.

SILVA, E. B. Fazendo gênero na cozinha: tecnologia e práticas. Gênero, tecnologia e trabalho. Revista Latinoamericana de Estudios del Trabajo, v. 4, n. 7, p. 29-54, 1998.

SILVA, E. B. Tecnologia e Vida Doméstica nos Lares. Cadernos Pagu; Gênero, Ciência e Tecnologia, v. 10, pp.21-52, 1998.

SIMÃO, Livia M. Cultura como campo de ação: uma introdução a teoria da ação simbólica de Ernest Boesch. Cadernos de Psicologia, v. 4, n.1, p.57-66, 1998.

SIMÃO, Lívia M. Ação, interação, objeto e cultura: a contribuição de Ernst Boesch. In: CONGRESSO NORTE-NORDESTE DE PSICOLOGIA, 1., 1999, Salvador. Anais... Salvador, 27-30 de maio 1999.

SIMÃO, Lívia M. Alteridade no diálogo e construção de conhecimento. In: Simão, Lívia; MARTÍNEZ, Albertina M. (orgs). O outro no desenvolvimento humano: diálogos para a pesquisa e a prática profissional em psicologia. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, p. 29-40.

SUCHMAN, L. A. Plans and situated actions. The problem of human/machine communication. New York: Cambridge University Press, 1994.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

VYGOTSKY, L. S. Pensé et langage. 3e édition. Paris: La Dispute, 1997.
Publicado
2015-09-15
Como Citar
Bifano, A. C. S. (2015). Uso cotidiano de produtos no âmbito doméstico: interface empresa e economia familiar. Oikos: Família E Sociedade Em Debate, 26(1), 174-204. Recuperado de https://periodicos.ufv.br/oikos/article/view/3703
Seção
Artigos